O governo da Nicarágua respondeu às declarações do Brasil sobre o futuro do processo eleitoral no país e reafirmou que mantém um sistema que considera “democrático, livre e transparente”. A manifestação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da Nicarágua, poucas horas após o Itamaraty demonstrar preocupação com declarações do presidente Daniel Ortega indicando que não pretende realizar novas eleições nos moldes tradicionais.
Na nota oficial, o governo nicaraguense sustenta que as decisões sobre seu sistema político fazem parte da soberania nacional e afirma que os processos eleitorais seguem as normas estabelecidas pelas instituições do país. O comunicado também envia uma mensagem de respeito ao povo brasileiro e às instituições do Brasil.
A reação ocorre após o Ministério das Relações Exteriores brasileiro defender a importância da realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes, consideradas princípios fundamentais das democracias. O Itamaraty também reforçou a expectativa de que os cidadãos nicaraguenses possam exercer livremente o direito de escolher seus governantes.
A tensão diplomática aumentou depois de declarações do presidente Daniel Ortega durante as comemorações do aniversário da Revolução Sandinista. Na ocasião, o líder afirmou que a oposição não voltará ao poder por meio das eleições, justificando que grupos adversários tentariam utilizar o processo eleitoral para retomar o controle do governo.
Posteriormente, a copresidente Rosario Murillo afirmou que a Nicarágua continuará realizando eleições, mas dentro de um modelo definido pelo próprio país, sem influência externa. Segundo ela, o sistema eleitoral nicaraguense será conduzido de acordo com os princípios de soberania nacional e autonomia institucional.
O governo Ortega acusa há anos setores da oposição de receber apoio estrangeiro para desestabilizar o país. Organizações internacionais de direitos humanos, por outro lado, têm apontado restrições à atuação de opositores, jornalistas e entidades da sociedade civil, além de questionarem a prisão de lideranças políticas antes das eleições de 2021.
As relações diplomáticas entre Brasil e Nicarágua atravessam um período de distanciamento desde 2024, quando divergências entre os dois governos resultaram no agravamento do diálogo bilateral.




