Eleições nos EUA podem mudar cenário para empresas de energia, tecnologia e defesa

Disputa pelo controle do Congresso ocorre nesta terça-feira (3) e pode afetar setores como energia limpa, inteligência artificial, saúde e defesa

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem alterar o equilíbrio de forças em Washington e provocar reflexos importantes sobre diferentes setores da economia norte-americana.

Analistas avaliam que uma vitória dos democratas nas duas Casas do Congresso poderia favorecer empresas ligadas à energia limpa, habitação e saúde. Por outro lado, companhias de inteligência artificial, centros de dados e defesa poderiam enfrentar maior fiscalização e pressão de parlamentares.

Segundo o mercado de previsões Polymarket, as chances de os democratas conquistarem Câmara e Senado estavam em 72% nesta segunda-feira (2). A possibilidade de os republicanos manterem o Senado e os democratas assumirem a Câmara aparecia com 23%.

Já a hipótese de o Partido Republicano manter o controle das duas Casas estava em 6%.

O cenário eleitoral ocorre em um momento de baixa popularidade do presidente Donald Trump. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na última semana mostrou aprovação de 32%, próxima do menor nível registrado em seu atual mandato. O custo de vida e a guerra com o Irã estão entre as principais preocupações dos eleitores.

Energia limpa pode ganhar espaço

Entre os setores que podem se beneficiar de um avanço democrata está o de energia limpa.

Empresas ligadas à produção de painéis solares, sistemas residenciais de energia solar e outras fontes renováveis podem encontrar um ambiente político mais favorável à manutenção de incentivos federais.

Entre as companhias acompanhadas pelo mercado estão First Solar, Sunrun, Enphase Energy e NextEra Energy.

Os democratas também podem ampliar a fiscalização sobre iniciativas do governo Trump para flexibilizar regras ambientais e de emissões.

Montadoras como Ford, General Motors e Stellantis, que reduziram alguns de seus planos para veículos elétricos e defenderam regras menos rígidas, também poderão enfrentar maior pressão política.

Inteligência artificial e centros de dados

Uma eventual maioria democrata poderá aumentar a fiscalização sobre empresas de inteligência artificial e grandes centros de dados.

Parlamentares poderiam utilizar poderes de investigação e convocação para cobrar informações de executivos de tecnologia sobre segurança, funcionamento e possíveis impactos de sistemas de inteligência artificial.

A expansão dos centros de dados também entrou no debate eleitoral. Eleitores de diferentes estados analisam propostas relacionadas a novas exigências, licenciamento ou restrições para esses empreendimentos.

Apesar disso, analistas consideram limitado o risco de mudanças capazes de interromper significativamente os investimentos em inteligência artificial, especialmente porque eventuais medidas aprovadas pelo Congresso ainda poderiam enfrentar veto presidencial.

Saúde e defesa também estão no radar

O setor de saúde apresenta um cenário mais dividido. Uma maior presença democrata no Congresso poderia aumentar a pressão por medidas relacionadas ao preço de medicamentos, custos dos serviços de saúde e programas como Medicare e Medicaid.

Na área de defesa, uma mudança no controle da Câmara poderia ampliar o debate sobre os gastos militares e a fiscalização de contratos, embora a demanda por equipamentos de defesa continue elevada em meio aos conflitos internacionais.

Mesmo que o resultado produza um Congresso dividido entre democratas e republicanos, a mudança na composição das Casas poderá influenciar investigações, orçamento e a agenda econômica dos Estados Unidos nos próximos dois anos.

Últimas