A forma como a violência contra a mulher é noticiada pode contribuir para a conscientização da sociedade ou reforçar estereótipos que silenciam vítimas e naturalizam agressões. Com esse entendimento, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal promove nesta quarta-feira (24) o evento “Comunicação que Protege”, que marca o lançamento oficial do Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal.
A iniciativa reúne instituições do sistema de Justiça, órgãos de segurança pública e profissionais da comunicação em torno de uma reflexão cada vez mais necessária: como informar sem revitimizar e como transformar a cobertura jornalística em uma ferramenta de prevenção e proteção.
Desenvolvido em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Defensoria Pública do Distrito Federal, o guia apresenta orientações para jornalistas, comunicadores, estudantes e veículos de imprensa sobre a abordagem ética e responsável dos casos de feminicídio.
A proposta é incentivar uma cobertura que vá além da narrativa policial e contribua para o entendimento das raízes da violência de gênero. O documento recomenda atenção ao uso da linguagem, à contextualização dos crimes e ao respeito à dignidade das vítimas e de seus familiares, evitando práticas que possam gerar exposição indevida ou revitimização.
A iniciativa também chama atenção para um aspecto frequentemente invisibilizado: a situação de crianças e adolescentes que ficam órfãos após o feminicídio de suas mães. O guia orienta profissionais da comunicação sobre a necessidade de preservar a identidade desses menores e divulgar informações sobre os serviços disponíveis na rede de proteção.
A programação do evento contará com a participação da juíza Fabriziane Zapata, que abordará os desafios da comunicação na prevenção da violência contra a mulher, além de representantes da Secretaria de Segurança Pública do DF e especialistas envolvidos na elaboração do documento.
Outro destaque será a apresentação do Selo Parceiro da Segurança – Comunicação Responsável, iniciativa que busca reconhecer instituições e profissionais comprometidos com práticas comunicacionais alinhadas à promoção dos direitos humanos e ao enfrentamento da violência de gênero.
Em um país que ainda registra índices alarmantes de feminicídio, discutir a responsabilidade da comunicação é reconhecer que as palavras têm impacto direto na construção da cultura. A maneira como uma sociedade fala sobre a violência contra as mulheres influencia a forma como ela compreende, enfrenta e combate esse problema.
Mais do que um manual para jornalistas, o Guia de Comunicação sobre Feminicídios representa um convite à reflexão sobre o papel da imprensa na defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres. Porque comunicar com responsabilidade também é uma forma de proteger.




