Senador liderou pesquisas, foi lançado como pré-candidato, desistiu da disputa e, um dia depois, voltou a pedir ao partido autorização para concorrer ao governo mineiro
A disputa pelo governo de Minas Gerais ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (4). O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que vinha protagonizando uma sequência de idas e vindas sobre seu futuro político, voltou a pedir ao partido autorização para disputar o Palácio Tiradentes nas eleições de 2026.
O pedido aconteceu durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, apenas um dia depois de o senador aparecer em um vídeo anunciando que não disputaria o governo mineiro.
Diante do presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, Cleitinho declarou que queria ser candidato e pediu novamente a vaga. A resposta, porém, foi negativa. Pereira afirmou que a fase deliberativa da convenção já estava encerrada e sustentou que o senador teve oportunidades anteriores para definir sua participação na disputa.
A negativa acrescenta mais um episódio a uma trajetória eleitoral que, nos últimos meses, passou da condição de favoritismo nas pesquisas para um impasse dentro do próprio partido.
De líder nas pesquisas à indefinição
Cleitinho chegou a 2026 como um dos principais nomes cotados para o governo de Minas Gerais. Pesquisas anteriores já indicavam sua força eleitoral e, em 2 de março, o Republicanos confirmou sua pré-candidatura ao Executivo estadual.
Eleito senador em 2022 com mais de 4,2 milhões de votos, Cleitinho já havia passado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde foi eleito deputado estadual em 2018.
Em abril, uma pesquisa Quaest divulgada pelo g1 mostrou o senador na liderança dos cenários em que seu nome era apresentado para o governo mineiro, inclusive em simulações de primeiro e segundo turnos.
Apesar dos números favoráveis, a confirmação definitiva da candidatura não veio.
Ausência na convenção aumenta o impasse
A situação começou a se complicar no fim de julho. No dia 25, o Republicanos realizou sua convenção estadual em Belo Horizonte, mas não oficializou candidaturas para governador, vice-governador ou senador.
Cleitinho não participou do encontro.
Na ocasião, dirigentes partidários afirmaram que as definições sobre os cargos majoritários ainda dependeriam de conversas com possíveis aliados e destacaram o momento pessoal vivido pelo senador após a morte de seu irmão, Matheus Azevedo, em 18 de julho.
Dias depois, começaram a circular informações de que Cleitinho poderia desistir da corrida pelo governo.
Em meio às especulações, no dia 28 de julho, após a divulgação de uma nova pesquisa Quaest em que permanecia na liderança, o senador publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial no qual versões digitais de seu pai e de seu irmão transmitiam mensagens de incentivo.
Republicanos barra candidatura e senador reage
No dia 29 de julho, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que Cleitinho não seria candidato ao governo de Minas.
Segundo a direção partidária, a ausência do senador na convenção estadual e a falta de uma definição clara sobre a disputa tiveram consequências para a construção eleitoral da legenda.
A assessoria do senador, no entanto, apresentou uma versão diferente e informou que ele continuava disposto a concorrer.
Na mesma noite, durante entrevista coletiva em Divinópolis, Cleitinho confirmou publicamente sua intenção de disputar o governo e declarou que “a voz do povo é a voz de Deus”.
O cenário partidário, entretanto, limitava suas alternativas. Com o prazo de filiação partidária para as eleições de 2026 já encerrado, uma candidatura ao governo dependeria do Republicanos.
Desistência dura apenas um dia
Na segunda-feira (3), uma nova reviravolta.
O Republicanos anunciou que Cleitinho não disputaria o governo de Minas Gerais, atribuindo a decisão ao próprio senador.
Em vídeo ao lado de Marcos Pereira e do presidente estadual do partido, Euclydes Pettersen, Cleitinho se emocionou, pediu perdão e afirmou que não estava bem para enfrentar uma campanha eleitoral naquele momento.
O senador também falou sobre a necessidade de cuidar de si e de sua família.
A retirada de seu nome provocou uma mudança imediata no tabuleiro eleitoral mineiro, principalmente porque Cleitinho vinha liderando levantamentos de intenção de voto.
Mas a decisão não durou muito.
Um dia depois, Cleitinho quer voltar
Nesta terça-feira (4), durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, Cleitinho voltou atrás.
Publicamente, pediu a Marcos Pereira que permitisse sua candidatura ao governo de Minas.
O presidente do partido manteve a posição e negou o pedido, argumentando que o período de deliberação já havia terminado.
O episódio deixa o senador em uma situação política incomum: em poucos dias, Cleitinho foi barrado pelo partido, reafirmou que seria candidato, anunciou que estava fora da disputa e, menos de 24 horas depois, voltou a reivindicar a candidatura.
Sem o aval partidário, porém, o senador permanece fora da corrida pelo governo mineiro.
O caso também muda as articulações em Minas Gerais. A retirada daquele que aparecia na liderança das pesquisas abre espaço para uma reorganização das alianças e estratégias dos demais grupos políticos que disputam o comando do estado.
Até o momento, a posição oficial do Republicanos permanece a mesma: Cleitinho Azevedo não tem autorização da legenda para concorrer ao governo de Minas Gerais.
Coluna Eleições 2026 | Mulher Capital Brasília




