Lula mira Trump para atingir Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem adotado o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um dos principais alvos de seus discursos públicos, em uma estratégia que também se reflete no cenário pré-eleitoral brasileiro. A avaliação de integrantes do governo e de aliados é de que o tema pode reforçar o discurso de defesa da soberania nacional diante de medidas anunciadas pelos Estados Unidos que afetam o Brasil.

Entre as críticas, Lula tem citado as tarifas impostas a produtos brasileiros e outras decisões atribuídas ao governo norte-americano, afirmando que essas ações podem gerar impactos negativos para a economia e para os brasileiros.

Nos bastidores, auxiliares do presidente avaliam que a estratégia também busca associar o nome de Trump a lideranças da oposição, especialmente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A intenção seria responsabilizar adversários políticos internos pelos efeitos das medidas adotadas pelos Estados Unidos, transformando o tema em um elemento do debate eleitoral.

Durante agenda em São Caetano do Sul (SP), Lula voltou a criticar declarações atribuídas a Trump sobre a proposta de cobrar uma taxa de 20% sobre cargas de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz.

“Hoje, tem um tuíte de Trump dizendo que vai desobstruir o Estreito de Ormuz, mas cada navio, o dono do petróleo tem que pagar 20% pra ele. Antigamente, isso se chamava pirataria”, afirmou o presidente.

Na sequência, Lula acrescentou que o conflito na região não foi provocado pelo Brasil e voltou a responsabilizar o ex-presidente norte-americano pelas tensões internacionais.

A leitura entre integrantes da campanha petista é de que manter Donald Trump no centro do debate político pode fortalecer a narrativa de defesa dos interesses nacionais e ampliar o contraste entre o governo e seus adversários. Ao mesmo tempo, a oposição critica essa estratégia e contesta a tentativa de relacionar decisões da política externa dos Estados Unidos ao cenário político brasileiro.

Com a aproximação das eleições de 2026, o tema tende a permanecer presente no discurso político, especialmente diante dos reflexos das relações entre Brasil e Estados Unidos e de seus possíveis impactos na economia e no debate eleitoral.

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