A eleição de 2026 deve apresentar um cenário diferente daquele visto em 2022. Se antes o principal foco de tensão estava nos ataques às urnas eletrônicas e nas dúvidas levantadas sobre a legitimidade do processo eleitoral, agora a maior preocupação da Justiça Eleitoral e de especialistas está no avanço da inteligência artificial e no impacto da desinformação digital.
Ao completar 30 anos de utilização no Brasil, a urna eletrônica já não ocupa sozinha o centro das discussões sobre segurança eleitoral. O debate mudou de eixo. A preocupação atual está no uso de ferramentas capazes de criar vídeos, áudios e imagens falsas com aparência extremamente realista, os chamados deepfakes, que podem influenciar eleitores e comprometer a credibilidade da disputa.
Especialistas em Direito Eleitoral avaliam que o ambiente de forte desconfiança sobre as urnas perdeu intensidade após as punições aplicadas pela Justiça Eleitoral contra agentes políticos que propagaram informações falsas sobre o sistema de votação. A atuação do Tribunal Superior Eleitoral passou a ser mais rígida, especialmente após os episódios que marcaram o processo eleitoral de 2022 e os reflexos institucionais observados no país.
A inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro é frequentemente apontada como um exemplo dessa resposta mais dura. A sinalização dada pelo tribunal contribuiu para reduzir discursos mais agressivos contra as urnas e tornou candidatos mais cautelosos diante do risco de sanções como cassação e perda de direitos políticos.
Mesmo assim, a desinformação continua sendo uma ameaça, apenas com uma nova roupagem. Hoje, a inteligência artificial permite criar conteúdos altamente convincentes, capazes de simular situações inexistentes, manipular falas e até construir personagens virtuais com forte influência política nas redes sociais.
Esse novo cenário exige respostas mais rápidas e técnicas. Por isso, o TSE ampliou a regulamentação sobre o uso de IA na propaganda eleitoral, proibindo conteúdos manipulados que possam comprometer o equilíbrio da disputa e exigindo identificação obrigatória em publicações produzidas com esse tipo de tecnologia.
Além disso, a Justiça Eleitoral reforça sistemas de monitoramento, canais de denúncia e ações de transparência para preservar a confiança pública no processo de votação.
A expectativa é de que 2026 tenha menos ataques diretos às urnas, mas um combate ainda mais intenso contra a manipulação digital. O desafio não será apenas proteger o voto, mas garantir que o eleitor consiga distinguir informação verdadeira de conteúdo fabricado artificialmente.





