A política não para. E, no Rio de Janeiro, ela acaba de acelerar.
A renúncia do governador Cláudio Castro (PL) não é apenas um movimento administrativo — é um marco político que reposiciona forças, expõe fragilidades institucionais e, sobretudo, antecipa o jogo de 2026.
O estado entra, agora, em um cenário incomum: o comando do Executivo passa, de forma interina, para o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro. Um movimento que, por si só, já revela o nível de tensão entre os Poderes.
Isso porque a linha sucessória foi interrompida. O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, está afastado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, em investigação que envolve vazamento de operação contra o crime organizado. O vice, Guilherme Delaroli, também não assume.
O resultado? Um vácuo político que será preenchido não pelo voto popular, mas por articulação.
O poder volta para o bastidor
A eleição indireta, prevista para acontecer até 22 de abril, coloca o destino do estado nas mãos de 70 deputados estaduais. São necessários 36 votos. Não há rua. Não há palanque tradicional. Há negociação.
E é nesse ambiente que a política mostra sua face mais real.
Candidatos não disputam apenas apoio — disputam confiança, acordos e viabilidade. A campanha é curta, sem propaganda paga, e com foco direto no convencimento interno. Um jogo técnico, silencioso e altamente estratégico.
Mais do que um mandato, uma vitrine
Engana-se quem vê essa eleição como apenas um “mandato tampão”.
Quem assumir o governo do Rio herda visibilidade, estrutura e protagonismo. Em um estado com peso político e eleitoral relevante, isso significa entrar — com vantagem — na corrida de 2026.
O que está em jogo agora não é só governar por um período curto. É construir posicionamento, ocupar espaço e se consolidar como liderança.
O Rio como termômetro nacional
O movimento no Rio de Janeiro ultrapassa suas fronteiras.
Ele revela:
- o impacto das decisões judiciais no jogo político
- a fragilidade de algumas estruturas de poder
- e, principalmente, a antecipação de um ciclo eleitoral que já começou, mesmo sem campanha oficial
No Brasil de hoje, 2026 não começa em 2026. Começa agora.
E o Rio, mais uma vez, se transforma em palco decisivo — onde crises viram oportunidades e onde bastidores, muitas vezes invisíveis, definem o futuro.





