Ulrich Siegmund ganha força e pode levar a direita ao governo da Saxônia-Anhalt

Aos 35 anos, candidato disputa o comando do estado do leste alemão em meio ao crescimento da direita radical e à preocupação de adversários com o avanço da legenda

A eleição na Saxônia-Anhalt colocou o estado do leste da Alemanha no centro das atenções políticas do país. Ulrich Siegmund, de 35 anos, tenta levar a Alternativa para a Alemanha (AfD) ao comando do governo estadual, em uma disputa acompanhada de perto dentro e fora do país.

Pesquisas eleitorais indicam que a AfD pode superar a marca de 40% dos votos no estado. Caso consiga formar maioria e Siegmund seja escolhido ministro-presidente, o resultado representaria um marco para a legenda e para a política alemã no período posterior à Segunda Guerra Mundial.

O crescimento ocorre em meio a fortes controvérsias envolvendo o partido. Autoridades de segurança alemãs classificaram setores da AfD como de extrema direita, enquanto a legenda contesta judicialmente essas avaliações. Na Saxônia-Anhalt, o diretório estadual já recebeu essa classificação de forma definitiva pelas autoridades locais de proteção à Constituição.

Entre as propostas defendidas por Siegmund estão o endurecimento das políticas migratórias, medidas de deportação, restrições ao acesso de estrangeiros a determinados serviços e mudanças nas áreas de educação e cultura.

A possibilidade de a AfD assumir um governo estadual também provocou discussões em Berlim. O governo do primeiro-ministro Friedrich Merz avalia como lidar com o compartilhamento de informações sensíveis e segredos de Estado caso a legenda conquiste o poder regional.

Siegmund afirma que respeitará o resultado das urnas e trabalha com a meta de conquistar 45 cadeiras no Parlamento estadual, número que poderia garantir maioria. As projeções eleitorais, porém, apontam atualmente para pelo menos 39 assentos.

Nascido depois da queda do Muro de Berlim, Siegmund é formado em psicologia corporativa e atuou no setor empresarial antes de entrar definitivamente na política. Ele passou pela União Democrata-Cristã (CDU) e ingressou na AfD em 2014.

Sua projeção aumentou durante a pandemia, quando se posicionou contra as restrições adotadas para conter a Covid-19. Posteriormente, seu nome também apareceu em reportagens investigativas relacionadas a uma reunião na qual foram discutidas propostas de “remigração”, termo utilizado por setores da direita radical europeia para defender a saída de imigrantes do país.

O desempenho da AfD na Saxônia-Anhalt será observado como um importante termômetro do avanço do partido na Alemanha e de sua capacidade de transformar crescimento eleitoral em poder de governo.

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