Para muitas mulheres, a chegada da menopausa representa o fim do ciclo menstrual. No entanto, antes dela existe um período de transformações conhecido como climatério, fase marcada por mudanças hormonais que podem afetar a saúde física, emocional e a qualidade de vida.
A assistente administrativa Ieda Soares, de 57 anos, conta que foi surpreendida pelos sintomas que surgiram durante essa etapa. O que imaginava ser apenas o fim da menstruação acabou trazendo novos desafios.
“Achava que seria um alívio, mas comecei a sentir muito cansaço, dificuldade de concentração e mudanças no corpo. Foi quando percebi que precisava entender melhor essa fase e procurar acompanhamento médico”, relata.
Segundo a ginecologista e obstetra Ana Carolina Ramiro, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), é importante diferenciar climatério e menopausa. O climatério corresponde ao período de transição hormonal, que normalmente começa entre os 40 e 45 anos, enquanto a menopausa é confirmada apenas após 12 meses consecutivos sem menstruação.
“Assim como a adolescência acontece de forma gradual, o climatério também é um processo. A menopausa é apenas um marco dentro dessa transição”, explica a especialista.
Entre os sintomas mais frequentes estão ondas de calor, alterações do sono, mudanças de humor, diminuição da libido, dificuldade de concentração e fadiga. Muitas mulheres acabam atribuindo esses sinais ao estresse ou ao excesso de trabalho, adiando a busca por atendimento médico.
Reposição hormonal pode melhorar a qualidade de vida
A terapia de reposição hormonal, que durante muitos anos gerou dúvidas, hoje é considerada uma alternativa segura para a maioria das pacientes, desde que haja indicação médica e acompanhamento especializado.
De acordo com Ana Carolina Ramiro, o tratamento ajuda a reduzir sintomas como ondas de calor, insônia e alterações de humor, além de contribuir para a preservação da saúde óssea e cardiovascular. A terapia também auxilia na prevenção da síndrome geniturinária da menopausa, condição que provoca ressecamento e alterações nos tecidos da região íntima.
A médica ressalta, no entanto, que a indicação deve ser individualizada, já que existem contraindicações específicas, como em mulheres com câncer de mama ativo ou histórico da doença.
Hábitos saudáveis fazem toda a diferença
Além do tratamento hormonal, especialistas destacam que a adoção de um estilo de vida saudável é fundamental para atravessar essa fase com mais bem-estar.
Práticas como musculação, pilates e exercícios de resistência ajudam a preservar a massa muscular e fortalecer os ossos, enquanto uma alimentação equilibrada contribui para a manutenção da saúde e da disposição.
Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de mulheres estarão na fase pós-menopausa até 2030, reforçando a necessidade de ampliar o acesso à informação e ao acompanhamento médico.
Os especialistas orientam que mulheres a partir dos 40 anos mantenham consultas ginecológicas regulares para identificar precocemente as alterações hormonais e definir, de forma individualizada, o tratamento mais adequado para cada caso.




