Potências seguem EUA no banimento da Huawei. Brasil ainda não decidiu

A chinesa Huawei é a maior fornecedora de equipamentos para redes de telecomunicação em todo o mundo e encontra-se no centro de uma crise que envolve espionagem comercial e a instalação de tecnologia 5G. A empresa, que já estava em uma lista negra de organizações que ameaçam a segurança dos Estados Unidos, começa a sofrer pressão de outros países agora. Grandes potências decidiram acompanhar os EUA a fim de proteger seus dados.

No Reino Unido, Boris Johnson anunciou, semana passada, que as empresas britânicas de telecomunicações terão que eliminar qualquer participação do gigante tecnológico chinês nas novas redes 5G até 2027. França, Canadá,Japão, Austrália, Nova Zelândia, Grécia e Taiwan estão seguindo o mesmo roteiro e apresentando limitações à companhia chinesa.
Ontem (23), autoridades francesas avisaram operadoras de telecomunicações que planejam comprar equipamentos 5G da Huawei que não poderão renovar licenças quando expirarem, eliminando a empresa das redes móveis, segundo a agência Reuters. A Nova Zelândia proibiu a utilização de equipamentos da companhia por questões de segurança nacional, depois que a Austrália impôs um veto similar à Huawei.



Brasil

No Brasil, embaixador americano Todd Chapman, disse que os Estados Unidos não irão contribuir com o financiamento do 5G no país, caso o governo do presidente Jair Bolsonaro faça opção por seguir na construção das redes da nova tecnologia com Huawei.


“A Huawei é uma mangueira com muitos furos, vaza informações para a China. A tecnologia chinesa é excelente, mas, em países autoritários, a tecnologia é sempre usada para reprimir, não para libertar. E esse princípio da liberdade precisa ser defendido”, afirmou o diplomata.

Para o economista Arthur Barrionuevo Filho, professor da Fundação Getúlio Vargas, “o governo americano está dando exemplo de nacionalismo econômico. Aqui pode ser a mesma coisa”.

O Brasil ainda não decidiu se permitirá ou não que os chineses forneçam equipamentos para a rede 5G nacional, mas autoridades brasileiras, como o vice-presidente Hamilton Mourão, já disseram que o país deve aceitar a Huawei como um dos fornecedores.


Histórico


Mas as preocupações com a atuação da Huawei não são de hoje. Em 2018, a executiva da companhia, Meng Wanzhou, filha do fundador Ren Zhengfei, foi presa no Canadá sob a acusação de fraude bancária, lavagem de dinheiro e roubo de segredos comerciais. No mesmo ano,o presidente Donald Trump assinou uma lei que proibiu qualquer funcionário do governo americano de utilizar dispositivos fabricados pela empresas e qualquer subsidiária ou afiliada dela.


Em 2012,no governo Obama, o Congresso dos EUA publicou um relatório em que acusava a Huawei e a também chinesa ZTE de serem uma ameaça à segurança do país. Na época, as companhias já figuravam entre as principais fornecedoras de equipamentos para redes de telecomunicação em todo o mundo e negaram as acusações de que estariam trabalhando com o governo chinês para espionar cidadãos de outros países.


Elisa Robson é jornalista, com especialização em Marketing e Mestrado em Comunicação e Linguagens

Ana Paula Neves é jornalista, letróloga, radialista e pós-graduada em Psicopedagogia e em Planejamento de Políticas Públicas.

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