O debate sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro da agenda política. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), argumentando que a mudança pode elevar a produtividade da economia brasileira e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
Segundo o ministro, experiências já realizadas no Brasil e no exterior indicam que jornadas mais curtas tendem a gerar melhores resultados. Estudos citados pelo governo apontam aumento de receita e maior cumprimento de prazos em empresas que adotaram regimes alternativos de trabalho. Casos internacionais, como Islândia, Japão e Estados Unidos, também são usados como referência para sustentar a tese de que trabalhadores mais descansados produzem mais.
A proposta em discussão prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, com limite de cinco dias de trabalho por semana e um período de transição, especialmente para micro e pequenas empresas. No Congresso, diferentes iniciativas tratam do tema, incluindo uma Proposta de Emenda à Constituição que sugere jornadas ainda menores.
Boulos também associou o debate à baixa produtividade estrutural da economia brasileira, defendendo mais investimento em inovação e criticando o peso dos juros elevados sobre o setor produtivo. Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, o ministro avalia que o custo do crédito dificulta tanto o crescimento das empresas quanto a geração de empregos.
A discussão segue em curso no Legislativo e deve ganhar intensidade nos próximos meses, envolvendo trabalhadores, empresários e o próprio governo em um dos temas mais sensíveis da política econômica atual.




