Disputa por ministérios cresce nos bastidores e pressiona articulação do Planalto

Foto: Orlando Sierra/AFP

A proximidade do calendário eleitoral de 2026 tem provocado uma reorganização silenciosa — e cada vez mais intensa — dentro do governo federal. Com a expectativa de que parte significativa dos atuais ministros deixe os cargos para disputar eleições, o Palácio do Planalto passou a lidar com uma nova frente de tensão: a corrida de auxiliares e dirigentes de segundo escalão por espaço na Esplanada.

A movimentação ganhou força nas últimas semanas e envolve secretários, presidentes de estatais e dirigentes de autarquias que buscam ascensão política antes da abertura oficial do processo eleitoral. A disputa interna tem ampliado a pressão sobre o presidente Lula, que tenta equilibrar interesses partidários, compromissos regionais e a necessidade de manter estabilidade administrativa.

Nos bastidores, partidos da base governista veem as possíveis trocas como oportunidade de ampliar influência e garantir visibilidade para quadros com potencial eleitoral. Ao mesmo tempo, a antecipação dessas disputas gera ruídos na coordenação do governo, com áreas estratégicas operando sob clima de expectativa e incerteza.

A preocupação do Planalto é evitar que a disputa por cargos comprometa a agenda de entregas e fragilize alianças num momento em que o governo ainda enfrenta desafios econômicos e políticos no Congresso. Lula tem sinalizado que mudanças só ocorrerão no tempo considerado adequado, mas reconhece que o movimento é inevitável diante do cenário eleitoral.

Com metade do governo potencialmente envolvida no processo eleitoral, a administração federal entra em um período de transição antecipada. A forma como o Planalto administrará essas disputas internas será determinante para manter a governabilidade e preservar o capital político necessário para 2026.

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