O anúncio do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, nesta quarta-feira (4), no Palácio do Planalto, reuniu representantes dos Três Poderes e reforçou, no discurso oficial, o compromisso institucional com o enfrentamento à violência contra mulheres. Coordenada pelo Ministério das Mulheres, a iniciativa, no entanto, foi atravessada por um detalhe político que não passou despercebido: a ministra Márcia Lopes não teve espaço de fala e também não integrou a primeira foto oficial do evento.
Discursaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal. As falas femininas ficaram restritas à primeira-dama Janja da Silva e à ministra Gleisi Hoffmann. Questionados, auxiliares do governo justificaram que a solenidade tinha como objetivo conscientizar os homens, argumento que, embora legítimo no mérito, não elimina a leitura política do gesto.
Ao assinar o decreto, Lula afirmou que o combate ao feminicídio deve ser responsabilidade de toda a sociedade, com ênfase no papel dos homens, e defendeu ações permanentes e coordenadas entre os Três Poderes. A mensagem central é clara e necessária. Ainda assim, a forma como ela é apresentada também comunica.
Na política, símbolos, silêncios e escolhas de palco têm peso institucional. Em uma agenda que trata diretamente da proteção das mulheres, a ausência de fala da ministra responsável pela política pública não é apenas um detalhe operacional — é um sinal que provoca leitura, debate e reflexão. Mais do que decretos e campanhas, coerência institucional e espaço efetivo de voz também fazem parte da mensagem quando o tema é a vida das mulheres.




