O voto feminino cresce em representação, mas o poder ainda é desigual

s eleições de 2026 deixaram um recado importante sobre a participação das mulheres na política brasileira.

Somos maioria entre os eleitores. As mulheres representam mais da metade de quem escolhe os rumos do país nas urnas. Mas, quando olhamos para quem ocupa efetivamente os espaços de decisão, essa maioria ainda não se traduz na mesma proporção.

Houve avanços importantes nesta eleição. Mais mulheres conquistaram cadeiras na Câmara dos Deputados e o Senado registrou um número expressivo de eleitas. Nos estados, mulheres também ampliaram presença nos Legislativos e chegaram a disputas importantes pelos governos estaduais.

É uma mudança que merece ser observada.

Mas os números também provocam uma pergunta: por que as mulheres ainda são maioria para votar e minoria para decidir?

A presença feminina na política não pode ser discutida apenas durante o período eleitoral. É preciso construir lideranças, preparar mulheres, criar condições para que elas participem das decisões partidárias, tenham estrutura para apresentar seus projetos e consigam permanecer na vida pública.

E isso não significa que todas as mulheres pensem da mesma forma.

Mulheres são de direita, de centro e de esquerda. São conservadoras e progressistas. Têm histórias, valores, prioridades e visões diferentes sobre o Brasil.

Talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores demonstrações de maturidade da participação feminina: não precisamos pensar igual para reconhecer que mulheres precisam estar presentes onde as decisões são tomadas.

2026 também mostrou que ocupar uma candidatura não é suficiente. É preciso transformar candidatura em voto, voto em mandato e mandato em presença política efetiva.

Ainda temos um segundo turno pela frente e, portanto, parte dessa fotografia só estará completa depois de 25 de outubro. Mas uma conclusão já pode ser feita: a participação das mulheres continua avançando, enquanto a distância entre o tamanho do eleitorado feminino e sua representação nos espaços de poder permanece significativa.

A política brasileira está mudando.

E as mulheres fazem parte dessa mudança não apenas como eleitoras, mas como candidatas, parlamentares, gestoras, lideranças partidárias, profissionais de campanha e formadoras de opinião.

Porque democracia também se constrói quando quem representa a maior parte do eleitorado encontra espaço para participar das decisões.

Últimas