Celina Leão e Gustavo Rocha, a aposta do DF

Com a primeira mulher eleita governadora do DF e um ex-ministro na vice, o novo mandato reúne força política e experiência de gestão.

Antes mesmo da posse para o novo mandato, Celina Leão já deu uma indicação de como pretende governar. Nesta sexta-feira (6), a governadora trouxe de volta à chefia da Casa Civil Gustavo Rocha, seu vice-governador eleito. Vejo nessa escolha o primeiro sinal de como os dois podem trabalhar juntos. Celina tem experiência para negociar as prioridades do governo, e Gustavo conhece por dentro a estrutura que terá de executá-las.

Acompanhei uma eleição acirrada e considero justa a vitória da chapa. Celina recebeu 57,18% dos votos válidos no segundo turno. Ela já governava o Distrito Federal desde a renúncia de Ibaneis Rocha, a quem sucedeu como vice. Em outubro, tornou-se a primeira mulher escolhida nas urnas para comandar o DF. Para mim, como mulher que acompanha a política de Brasília, esse é um resultado que merece ser celebrado.

A força da leoa

Celina conhece a política distrital de lugares diferentes. Foi deputada distrital, deputada federal e vice-governadora antes de assumir o Buriti. No primeiro turno, ficou a uma fração de ponto percentual de vencer. Voltou às ruas para disputar o segundo e ampliou sua votação de cerca de 825 mil para 987 mil votos. É nesse percurso que vejo a força da leoa. Ela sustentou a candidatura ao longo de dois turnos e chegou ao fim da disputa com uma base eleitoral maior.

A técnica de Gustavo

Advogado e ministro dos Direitos Humanos no governo Michel Temer em 2018, Gustavo Rocha passou quase seis anos à frente da Casa Civil do DF. Ali, trabalhou na articulação entre órgãos do governo e no acompanhamento de projetos na Câmara Legislativa. Essa experiência pesa quando uma prioridade da governadora precisa de orçamento, respaldo jurídico e participação de várias secretarias para sair do papel. O retorno à Casa Civil dá a Gustavo a oportunidade de começar esse trabalho antes mesmo de assumir a vice.

O que espero dos próximos quatro anos

Nos primeiros meses, quero ver o governo dizer quais filas da saúde pretende reduzir primeiro, em quanto tempo e como a população poderá acompanhar. Na segurança, vou olhar para o que chega às regiões administrativas, sobretudo para a mulher que precisa de proteção e quer saber onde será atendida. E, na relação com a União, a defesa do Fundo Constitucional do DF será uma oportunidade de ver a articulação dos dois em ação.

Minha aposta é positiva. Celina chega com a legitimidade de uma vitória histórica, e Gustavo traz experiência para ajudá-la a transformar decisões em entregas. Daqui a quatro anos, quero voltar a esta coluna e contar o que essa parceria mudou na vida de quem mora aqui. Quero ouvir da mãe que conseguiu uma vaga na creche, da paciente que esperou menos por uma consulta e da mulher que encontrou proteção quando precisou.

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