Faltam 12 dias para as eleições.
E existe um número que merece muito mais atenção: 52,84% do eleitorado brasileiro é formado por mulheres.
Somos maioria entre quem escolhe. Mas ainda estamos longe de ocupar, na mesma proporção, os espaços onde as decisões são tomadas.
E é justamente essa contradição que me inquieta.
Durante toda a campanha, ouvimos falar sobre a força do voto feminino. Mulheres participam, trabalham, lideram, empreendem, sustentam famílias, movimentam comunidades e ajudam a decidir uma eleição.
Muitas também tiveram coragem de colocar o próprio nome, a trajetória e o trabalho à disposição da sociedade.
Mas será que estamos olhando para elas?
Não estou falando de mulheres contra homens. Essa discussão não é sobre gênero ser mais ou menos capaz.
É sobre equilíbrio. É sobre representação.
Também não defendo que alguém vote em uma candidata simplesmente porque ela é mulher. Voto exige responsabilidade. É preciso conhecer trajetória, trabalho, propostas, preparo e compromisso.
Mas, antes de escolher, é preciso conhecer.
Por isso, faltando 12 dias para as urnas, minha pergunta não é: “Você vai votar em uma mulher?”
Minha pergunta é:
Você conhece as mulheres que estão pedindo o seu voto?
Se somos 52,84% de quem escolhe, precisamos refletir por que essa força ainda não aparece com a mesma intensidade entre aqueles que são escolhidos.
Uma democracia equilibrada precisa de diferentes experiências e olhares participando das decisões. Homens e mulheres sentados à mesma mesa, construindo políticas públicas para uma sociedade que também é feita por homens e mulheres.
A presença feminina na política não precisa ocupar o lugar de ninguém.
Precisa ocupar o lugar que ainda falta.
E talvez o próximo passo comece exatamente aí: não apenas com mais mulheres dispostas a disputar, mas com uma sociedade disposta a conhecê-las.
52,84% do eleitorado. E quanto do poder?
Ana Paula Neves
Política de A a Z | Mulher Capital Brasília




