O amor e o ódio são vizinhos separados por uma linha tênue, um traço quase invisível que, ao menor vento da história, se desfaz. Brasil e Venezuela compartilham essa relação de proximidade que oscila entre a cumplicidade e a tensão, o afeto e o ressentimento.
Há um tempo em que nos olhamos como irmãos, dividindo sonhos latino-americanos e brindando à integração. O petróleo de um lado, o agronegócio do outro. As trocas de sorrisos e promessas de um futuro próspero para ambos. Mas há também o tempo da desconfiança, das fronteiras que se tornam muros invisíveis, das palavras afiadas lançadas como dardos.
Nos corredores do Brics, esse jogo de emoções se intensifica. O Brasil, gigante ambíguo, balança entre diplomacia e pragmatismo, tentando dançar conforme a música dos interesses globais. A Venezuela, incendiada por sua própria turbulência, oscila entre buscar aliados e desafiar o mundo.
Ora, nos abraçamos em discursos calorosos sobre solidariedade latino-americana; ora, nos encaramos como rivais em um tabuleiro geopolítico onde cada peça movida pode mudar o destino de milhões.
O amor ainda existe, mas o ódio é latente. Talvez porque, no fundo, Brasil e Venezuela sejam como espelhos que refletem o melhor e o pior um do outro. E entre esses extremos, seguimos dançando essa dança eterna de aproximação e afastamento, de esperança e desilusão.