A Copa do Mundo de 2026, que será sediada de forma conjunta por Estados Unidos, México e Canadá, começa a enfrentar um ruído político antes mesmo de a bola rolar. Na Europa, setores da sociedade civil, dirigentes esportivos e parlamentares passaram a discutir a possibilidade de boicote ao Mundial em reação a posicionamentos e políticas do presidente norte-americano, Donald Trump.
O incômodo ganhou força após declarações do republicano envolvendo a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca, além do endurecimento de políticas migratórias dentro dos Estados Unidos. Para críticos, o torneio corre o risco de ser instrumentalizado politicamente, em um cenário que mistura esporte, poder e disputas geopolíticas.
Na Holanda, o debate extrapolou os bastidores e chegou à opinião pública. Uma mobilização virtual pedindo que o país não participe do Mundial reuniu milhares de assinaturas e forçou a federação nacional a se posicionar. Apesar da pressão, a entidade descartou, por ora, qualquer retirada da competição, afirmando acompanhar o contexto político internacional.
A discussão também encontrou eco na Alemanha, onde dirigentes ligados ao futebol levantaram o alerta de que a Copa pode se transformar em vitrine política para o governo americano. A federação alemã, no entanto, evitou assumir uma posição oficial e reforçou o compromisso esportivo com o torneio.
Na Dinamarca, o tema é tratado com cautela. Parlamentares admitem que um boicote só entraria no radar em caso de agravamento das tensões envolvendo a Groenlândia. Até o momento, a seleção dinamarquesa segue focada na busca por vaga na competição.
Historicamente, boicotes a Copas do Mundo por razões políticas são exceções, e não regra. Ainda assim, o debate atual revela como grandes eventos esportivos continuam expostos às dinâmicas do poder global. Para analistas, mesmo que não resulte em ações concretas, a discussão já impõe desgaste diplomático e pressiona entidades como a Fifa, que tenta preservar a neutralidade do futebol em um cenário cada vez mais polarizado.




