Rússia alerta para risco global com possível fim de tratado nuclear com os EUA

Uma das principais autoridades de segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, fez um alerta sobre os riscos de deixar expirar o último tratado de controle de armas nucleares entre Rússia e Estados Unidos. Segundo ele, o fim do acordo pode aumentar o perigo de uma catástrofe global e acelerar o chamado “Relógio do Juízo Final”, que simboliza o quão perto o mundo estaria de uma destruição causada pelo próprio homem.

O tratado New Start, assinado em 2010, quando Medvedev era presidente da Rússia, vence nesta quinta-feira (5). Até o momento, não há indicação de um acordo entre Moscou e Washington para prorrogar ou substituir o compromisso. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já sinalizou que pretende deixar o tratado expirar, rejeitando a proposta russa de manter voluntariamente os limites sobre armas nucleares estratégicas.

Em entrevista a veículos internacionais, Medvedev afirmou que o fim do tratado não significa, de imediato, uma guerra nuclear, mas destacou que a situação é preocupante. Para ele, a ausência de regras claras sobre o uso de armas nucleares torna o cenário internacional ainda mais instável.

O acordo New Start limita o número de ogivas nucleares estratégicas e os sistemas de lançamento de longo alcance, considerados os mais destrutivos. Com o possível fim do tratado, cresce o temor de uma nova corrida armamentista entre as grandes potências.

Os Estados Unidos defendem que a China participe das negociações sobre controle de armas, já que é a terceira maior potência nuclear do mundo. No entanto, o governo chinês não demonstra interesse em entrar nas conversas.

Aliado próximo do presidente Vladimir Putin, Medvedev ocupa atualmente o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia. Suas declarações costumam refletir o pensamento de setores mais duros da elite política russa.

Apesar das tensões causadas pela guerra na Ucrânia, Medvedev afirmou que houve uma melhora recente no diálogo entre Rússia e Estados Unidos, especialmente após o retorno de Trump à Casa Branca. Ainda assim, ele ressaltou que o mundo vive um momento delicado e reforçou que Moscou não tem interesse em um conflito global.

“Não somos loucos”, declarou, ao destacar que a Rússia busca evitar uma escalada que leve a consequências irreversíveis.

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