Conflitos armados e eventos climáticos extremos ameaçam avanços no combate à fome e à pobreza no mundo
Guerras e mudanças climáticas estão entre os principais obstáculos para o avanço do combate à fome e à pobreza no mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), conflitos armados levaram cerca de 40 milhões de pessoas ao mapa da fome nos últimos anos.
O tema será discutido durante reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, copresidida por Brasil e Espanha, realizada às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Representando o Brasil, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou que os conflitos atingem de maneira mais intensa as populações em situação de vulnerabilidade.
Apesar da redução, segundo os dados apresentados, de 750 milhões para 645 milhões de pessoas em situação de fome, o ministro alertou que as guerras podem comprometer os avanços alcançados, especialmente por provocarem deslocamentos populacionais e pressão sobre os preços dos alimentos.
Clima também preocupa
Os eventos climáticos extremos representam outro desafio. Alterações nas temperaturas, secas, enchentes e outros fenômenos afetam diretamente a produção e a distribuição de alimentos.
Segundo Dias, comunidades ribeirinhas, pescadores e povos indígenas estão entre as populações particularmente expostas aos impactos das mudanças climáticas.
O ministro defendeu ainda maior direcionamento de recursos internacionais para políticas de combate à fome, à pobreza e aos efeitos da crise climática.
Aliança reúne 218 membros
Criada em 2024, durante a presidência brasileira do G20, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza passou de 148 para 218 membros, reunindo países, organismos internacionais e representantes do setor privado.
Entre as iniciativas apresentadas pelo Brasil estão políticas de transferência de renda e mecanismos de apoio a pequenos negócios. Segundo o ministro, o Fundo Garantidor já possibilitou investimentos de aproximadamente R$ 4 bilhões no país.
A proposta brasileira também busca articulação com instituições como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento para avaliar a aplicação de iniciativas semelhantes em países de menor renda.




