Tecnologia fortalece combate a incêndios e amplia proteção de áreas do Cerrado

O uso de novas tecnologias está transformando o trabalho de brigadas comunitárias responsáveis pelo combate a incêndios florestais em áreas protegidas do Cerrado. Ferramentas como sistemas de monitoramento em tempo real, inteligência artificial para identificação de fumaça e aplicativos que funcionam sem conexão à internet estão ajudando a reduzir o tempo de resposta aos focos de fogo e a fortalecer a preservação ambiental.

As iniciativas contam com apoio do Programa Copaíbas, voltado à conservação dos biomas Amazônia e Cerrado. A ação é gerida pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e recebe financiamento da Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas.

Além do apoio a projetos de prevenção e combate aos incêndios, o programa investe em capacitação de brigadistas, aquisição de equipamentos e fortalecimento das estratégias de Manejo Integrado do Fogo em unidades de conservação e regiões do entorno.

Uma das inovações implantadas recentemente está no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul. Uma torre equipada com câmeras de alta resolução e tecnologia de detecção inteligente passou a monitorar a área, identificando sinais iniciais de fumaça e emitindo alertas para as equipes responsáveis pela vigilância ambiental.

A tecnologia permite uma resposta mais rápida em comparação aos sistemas tradicionais que dependem exclusivamente de imagens de satélite, contribuindo para evitar que pequenos focos se transformem em grandes incêndios. Atualmente, o monitoramento alcança grande parte da área protegida, ampliando a capacidade de prevenção e atuação das equipes locais.

Outra ferramenta que vem ganhando espaço é o aplicativo Caminho do Fogo, desenvolvido para auxiliar brigadistas durante as operações em campo. A plataforma reúne informações sobre localização, ocorrências e deslocamento das equipes, permitindo o registro das atividades mesmo em regiões sem acesso à internet.

A solução facilita a comunicação entre brigadistas, auxilia no planejamento das ações de combate e gera informações que podem ser utilizadas para relatórios, monitoramento e gestão das áreas protegidas. O sistema também permite registrar trajetos percorridos durante as operações, aumentando a segurança das equipes em regiões de difícil acesso.

A expectativa é que a primeira versão oficial do aplicativo seja disponibilizada ainda este ano, ampliando o acesso das brigadas comunitárias a ferramentas tecnológicas capazes de tornar o combate aos incêndios mais eficiente.

Com a chegada do período de seca em diversas regiões do país, iniciativas que unem tecnologia, capacitação e atuação comunitária ganham importância estratégica para reduzir os impactos das queimadas e proteger a biodiversidade dos biomas brasileiros.

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