Déficit global para proteger a biodiversidade chega a US$ 1,3 trilhão por ano, aponta estudo

Relatório alerta que distância entre os recursos disponíveis e o necessário para enfrentar a perda da natureza quase dobrou desde 2020

O mundo precisa ampliar significativamente os investimentos para enfrentar a crise da biodiversidade. Um novo estudo estima em US$ 1,317 trilhão por ano o déficit de financiamento para proteger a natureza e conter a perda de espécies e ecossistemas.

Os dados fazem parte do relatório Financing Nature 2026, elaborado pela The Nature Conservancy (TNC), World Wildlife Fund (WWF) e Paulson Institute.

As organizações acompanham os investimentos globais destinados à proteção da natureza desde 2020. Em seis anos, a diferença entre o que é investido e o volume considerado necessário quase dobrou: passou de US$ 711 bilhões para US$ 1,317 trilhão anuais.

Mais recursos para atividades prejudiciais à natureza

Um dos dados que mais chamam atenção no levantamento é a diferença entre os investimentos destinados à conservação e os recursos associados a atividades prejudiciais ao meio ambiente.

Segundo o relatório, para cada US$ 1 direcionado à proteção da natureza, cerca de US$ 30 são destinados a atividades consideradas prejudiciais à biodiversidade.

O estudo aponta a revisão de subsídios como uma das principais medidas capazes de reduzir essa diferença e direcionar mais recursos para iniciativas de conservação.

Natureza como parte da economia

Entre as recomendações apresentadas estão a ampliação de mecanismos de financiamento já existentes, a reforma de subsídios prejudiciais e a incorporação da natureza às decisões econômicas, financeiras e de desenvolvimento.

O relatório também defende maior participação de governos, empresas, bancos e instituições multilaterais na mobilização de recursos.

Para os pesquisadores, as crises climática e da biodiversidade estão cada vez mais conectadas e precisam ser consideradas conjuntamente na elaboração de políticas públicas e estratégias de investimento.

A conclusão é que já existem experiências e mecanismos capazes de ampliar a proteção ambiental. O desafio, agora, é aumentar a escala e a velocidade de implementação dessas iniciativas diante do avanço da perda da biodiversidade.

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