Feminicídio: mulher morta em Ceilândia

Natural de Santa Inês (MA), a auxiliar de limpeza chegou a Brasília há 12 anos e teve três filhos, fruto de outro relacionamento. Em 2014, Isabel e Marcos conheceram-se e começaram a namorar. Desde o começo, a relação foi marcada por agressões.

Isabel trabalhava como auxiliar de serviços gerais em um shopping de Águas Claras durante o dia inteiro. Na noite do crime, na sexta-feira, a mulher chegou em casa antes do horário previsto, por volta das 20h30. O imóvel onde ela morava fica em um terreno com outros dois barracos. “Ela chegou e foi direto na minha casa. Achei estranho e a questionei. Ela me disse que o marido ia pegar as coisas para sair de casa, mas ela estava com medo de ele levar, também, os pertences dela”, contou Celina Barbosa, 40, vizinha da vítima.

A mulher ficou pouco tempo na casa da colega e logo seguiu para casa. Poucos minutos se passaram até Celina ouvir um grito: “Para”. “Meu outro vizinho me gritou, pedindo socorro. Quando cheguei à casa da Isabel, eu a vi caída, sangrando muito. Ela olhou para mim, deu o último suspiro e fechou os olhos. Nunca mais vou esquecer aquela cena. Ela era uma pessoa guerreira, batalhadora e fazia de tudo pelos meninos”, lamentou.

O assassinato foi presenciado pelo filho caçula da vítima, de 15 anos. Testemunhas relataram que, depois de matar a mãe dele, o acusado tentou esfaquear o adolescente, que correu e se escondeu em um cômodo da casa. No momento do crime, Marcos estava sob efeito de álcool e de drogas quando matou a mulher, afirmam os vizinhos. Ele teria pedido dinheiro a ela para comprar mais bebida. Com a negativa, o suspeito foi até a cozinha, pegou uma faca e atacou a vítima.

Marcos foi preso em menos de 24 horas por investigadores da Deam 2, após denúncia anônima. O homem estava na casa de um parente, em Ceilândia, não resistiu à prisão e confessou o feminicídio na delegacia. Em depoimento, o agressor contou que queria sair de casa e os dois tiveram uma discussão. “Ele teria pedido dinheiro a ela, mas a vítima falou que não tinha o valor e cogitou pedir aos vizinhos. Depois disso, ele disse que a matou com, ao menos, uma facada”, detalhou a delegada-adjunta da Deam 2, Karina Duarte. Apenas o laudo cadavérico poderá precisar a quantidade de facadas e o local exato do ferimento.



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