Foto: Divulgação/PP
A federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) trabalha para postergar ao máximo uma definição sobre o posicionamento na disputa presidencial de 2026. A leitura interna é de que o campo da centro-direita ainda atravessa um período de indefinições e que um movimento antecipado pode provocar ruídos nas articulações estaduais.
Nos bastidores, a estratégia é objetiva: priorizar a eleição de deputados federais e senadores. Lideranças da federação avaliam que o desempenho legislativo terá peso decisivo não apenas na correlação de forças no Congresso, mas também na distribuição futura de recursos do fundo partidário — fator considerado central no cálculo político.
A discussão interna, no entanto, está longe de ser pacificada. Há alas que defendem alinhamento com nomes ligados ao bolsonarismo, enquanto outros grupos sustentam a liberação das bases regionais. Esse modelo permitiria composições conforme a realidade local, inclusive com possíveis alianças pragmáticas em redutos tradicionalmente favoráveis ao PT, especialmente no Nordeste.
Outro ponto sensível envolve o impacto da disputa presidencial nas dinâmicas estaduais. Integrantes da federação defendem cautela, sob o argumento de que decisões nacionais podem interferir diretamente na formação de palanques competitivos e na montagem das coligações regionais. A diretriz predominante é evitar movimentos que comprometam projetos locais.
Atualmente, União Brasil e PP somam 108 deputados federais e 13 senadores. Internamente, a manutenção desse patamar já é considerada um cenário satisfatório, enquanto um crescimento moderado das bancadas aparece como objetivo viável.
O fator financeiro também influencia o tabuleiro. Pela regra vigente, a maior parte do fundo partidário é distribuída conforme o desempenho na eleição para a Câmara dos Deputados, o que reforça a centralidade das disputas proporcionais na estratégia da federação.
Em um ambiente político ainda volátil, a União Brasil–PP sinaliza que prefere ganhar tempo, preservar margens de negociação e concentrar energia onde enxerga maior retorno político: o Legislativo.




