O rompimento político entre a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e o ex-governador Ibaneis Rocha deixou os bastidores para se tornar um fato declarado — e já provoca uma reconfiguração importante no cenário eleitoral do Distrito Federal.
A sinalização pública veio após Ibaneis aparecer ao lado das principais lideranças do MDB e afirmar que o partido vive um momento de “muitas decepções” com os rumos da atual gestão. A declaração foi interpretada como a oficialização do afastamento político entre o ex-governador e sua antiga aliada, que ocupou o cargo de vice-governadora durante seu segundo mandato.
Ao lado do deputado federal Rafael Prudente, do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e do presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz, Ibaneis reforçou que o MDB não abrirá mão do espaço político construído ao longo dos últimos anos no Distrito Federal.
A resposta de Celina Leão veio em tom igualmente firme. Ao afirmar que “sucessão nunca será submissão”, a governadora deixou claro que pretende conduzir o governo com independência política e administrativa, consolidando uma marca própria à frente do Palácio do Buriti.
O desgaste entre os dois grupos vinha sendo comentado nos bastidores há meses, mas ganhou força diante das discussões envolvendo o Banco de Brasília (BRB), das divergências sobre condução administrativa e da reorganização política para as eleições de 2026.
Dentro do MDB, o movimento já é visto como o início de uma nova estratégia eleitoral. O partido busca manter protagonismo no DF e ampliar espaço nas próximas disputas. Nesse cenário, o nome do deputado federal Rafael Prudente começa a ganhar ainda mais força dentro das articulações da legenda.
Enquanto isso, Celina intensifica agendas institucionais, fortalece alianças com outros grupos políticos e aposta na consolidação de sua gestão como principal ativo político para os próximos anos.
Nos corredores da política brasiliense, a avaliação é de que o rompimento encerra um dos ciclos de maior alinhamento político do Distrito Federal nos últimos anos e inaugura uma nova disputa por espaço, influência e liderança dentro da base que comandou o DF desde 2019.





