Religião se consolida como fator determinante nas eleições presidenciais de 2026

A menos de um ano das eleições presidenciais, pesquisa Atlas/Bloomberg revela que a religiosidade se tornou um elemento estrutural na definição do comportamento eleitoral no Brasil, criando divisões claras entre os campos da esquerda e da direita. O levantamento aponta que o eleitorado evangélico mantém forte coesão em torno do bolsonarismo, enquanto católicos, ateus, agnósticos e pessoas sem religião consolidam apoio consistente ao PT.

Entre os evangélicos, Jair Bolsonaro lidera com 64,8% das intenções de voto em cenário de repetição de 2022, enquanto seu filho Flávio Bolsonaro atinge 55,3% neste mesmo segmento. Michelle Bolsonaro também registra desempenho expressivo, com 47,7%. Já Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), apesar de liderar em algumas simulações, apresenta percentuais inferiores aos dos membros da família Bolsonaro, evidenciando a importância do sobrenome para mobilizar eleitores religiosos conservadores.

No campo oposto, Lula mantém liderança estável entre católicos, variando entre 52,1% e 54% das intenções de voto, enquanto Fernando Haddad alcança cerca de 45% nesse grupo. Candidatos da direita enfrentam rejeição significativa entre católicos, com Flávio Bolsonaro e Tarcísio não ultrapassando 32% das intenções de voto. Entre ateus, agnósticos e sem religião, a rejeição ao bolsonarismo é ainda maior, com Lula alcançando até 83,6% de preferência em cenários de primeiro turno.

O estudo evidencia que o voto evangélico se mostra mais coeso que o católico, reforçando a importância de pautas de valores morais e identidade religiosa nas estratégias das campanhas de 2026. A pesquisa indica que a religião pode se tornar um preditor mais estável de voto do que fatores como região, renda ou idade, aprofundando a segmentação do eleitorado brasileiro.

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