A oficialização dos candidatos à Presidência da República para as eleições de 2026 ocorrerá apenas em agosto, após as convenções partidárias. Até lá, o cenário político segue marcado por articulações, lançamentos de pré-candidaturas e movimentações estratégicas que buscam medir força junto ao eleitorado e ao sistema partidário.
Até o momento, seis nomes já anunciaram oficialmente a intenção de disputar o Palácio do Planalto. O pleito de 2026 tende a ser um dos mais polarizados da história recente, sendo a primeira eleição presidencial após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e em meio a um ambiente de forte tensão institucional.
O contexto político também é influenciado pelo aumento dos atritos entre os Poderes, especialmente envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Questionamentos sobre a atuação de ministros da Corte, que também se refletem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), devem integrar o debate eleitoral, ao lado de temas como economia, responsabilidade fiscal e segurança pública.
Além disso, a próxima legislatura terá papel decisivo na relação entre os Poderes. O Senado pode avançar em discussões sobre pedidos de impeachment de ministros do STF, enquanto o próximo presidente da República terá a prerrogativa de indicar até três novos ministros da Corte durante o mandato.
Pré-candidatos anunciados
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Atual presidente da República, Lula confirmou que disputará a reeleição, apesar de declarações feitas durante a campanha de 2022 indicando que exerceria apenas um mandato. O petista enfrentará desafios relacionados à avaliação de seu governo e ao cenário econômico, marcado por restrições fiscais, crescimento da dívida pública e pressões tributárias.
Flávio Bolsonaro (PL)
Senador pelo Rio de Janeiro, Flávio foi anunciado como pré-candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A escolha surpreendeu parte da direita, que apostava no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Flávio busca unificar o eleitorado conservador e ampliar alianças com partidos do Centrão.
Romeu Zema (Novo)
Governador de Minas Gerais, Zema lançou sua pré-candidatura com foco no discurso de gestão eficiente e liberal. O principal desafio é ampliar sua projeção nacional, superando a concentração de apoio regional. O partido Novo afirma que o governador manterá a candidatura até o fim do processo.
Ronaldo Caiado (PSD)
Governador de Goiás, Caiado oficializou sua pré-candidatura ainda em 2025. Após migrar para o PSD, busca se consolidar como uma alternativa de centro-direita, destacando resultados nas áreas de segurança pública e agronegócio. Sua permanência como cabeça de chapa dependerá das definições internas do partido.
Renan Santos (Missão)
Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos é o nome do recém-criado partido Missão. Com discurso crítico tanto ao PT quanto ao bolsonarismo, defende descentralização econômica, combate à corrupção e políticas rígidas de segurança pública.
Aldo Rebelo (DC)
Ex-ministro em governos petistas, Aldo Rebelo anunciou pré-candidatura após se afastar da esquerda. O Democracia Cristã avalia alianças com outros setores da direita, e o nome de Fabio Wajngarten é citado como possível vice em uma composição de chapa.
Nomes em observação
Outros nomes seguem sendo cogitados para entrar na disputa presidencial ou compor chapas como vice. Entre eles estão os governadores Ratinho Junior (PSD), do Paraná, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul. Caso o PSD opte por um desses nomes, a candidatura de Caiado pode ser revista.
Analistas avaliam que o momento ainda é de teste de popularidade e construção de imagem nacional. A definição final das chapas dependerá do desempenho nas pesquisas, da capacidade de articulação política e das decisões partidárias nos próximos meses.




