O fim do jingle e o recado silencioso da política para 2026

Foto: Democracia Cristã

O jingle “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão” não vai embalar a próxima disputa presidencial — e essa ausência diz mais sobre os bastidores das Eleições 2026 do que parece à primeira vista. O silêncio não é apenas musical. É político.

José Maria Eymael sempre foi tratado como personagem folclórico do processo eleitoral, mas nos corredores partidários sua presença cumpria uma função clara: ocupava espaço, garantia tempo de exposição à sigla e mantinha o partido vivo no debate nacional. Com sua saída definitiva da linha de frente, a Democracia Cristã sinaliza que não há mais margem para candidaturas simbólicas.

A troca no comando da sigla, após 40 anos sob a presidência de Eymael, não foi apenas protocolar. A ascensão de João Caldas e o anúncio da pré-candidatura de Aldo Rebelo revelam um movimento calculado: a DC quer voltar a ser tratada como partido — não como figurante eleitoral. Nos bastidores, a avaliação é clara: em um cenário polarizado e de recursos escassos, não há espaço para nomes que não dialoguem com o centro do debate nacional.

A política de 2026 será menos tolerante ao folclore e mais exigente com densidade política. Partidos pequenos sabem que sobreviverão apenas se conseguirem se conectar a projetos maiores, seja como linha auxiliar de palanques relevantes, seja oferecendo quadros capazes de dialogar com diferentes campos ideológicos. Aldo Rebelo entra nesse jogo como alguém que transita entre campos distintos, característica valorizada em uma eleição de alianças frágeis e discursos em disputa.

A saída de Eymael também expõe uma mudança no comportamento do eleitor — e no cálculo dos marqueteiros. O voto de protesto perdeu parte do charme, e o eleitorado se mostra mais pragmático diante de crises sucessivas, instabilidade econômica e desgaste institucional. O tempo do “voto lúdico” ficou para trás.

Ainda assim, nos bastidores do Congresso e dos partidos, há um reconhecimento silencioso do papel histórico de Eymael. Deputado constituinte, defensor de pautas conservadoras e presença constante no debate institucional, ele deixou marcas reais — embora tenha sido engolido pela caricatura que a repetição eleitoral produziu.

O recado para 2026 é direto: memória não garante sobrevivência política. A eleição será dura, estratégica e sem espaço para improviso. O fim do jingle não encerra apenas uma trajetória pessoal; expõe uma política que já decidiu virar a página — mesmo antes de a campanha começar.

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