Candidato do Avante mantém cerca de 5% em levantamentos recentes e se torna alvo de articulações diante de um eventual segundo turno
A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificam movimentos em direção aos eleitores de Augusto Cury (Avante), parcela do eleitorado que tem demonstrado resistência à polarização entre os dois principais candidatos.
Cury aparece com cerca de 5% das intenções de voto em levantamentos recentes. No Datafolha divulgado em 24 de setembro, registrou 5%, mesmo percentual apontado pela pesquisa BTG/Nexus divulgada no dia 28.
Do lado petista, a aproximação vem sendo conduzida por Edinho Silva, presidente do PT e coordenador-geral da campanha de Lula. Segundo informações publicadas pelo PlatôBR, as conversas ainda não avançaram para uma eventual incorporação de propostas defendidas por Cury ao programa de Lula. Integrantes do PT enxergam o eleitorado do candidato do Avante como um segmento importante entre aqueles que buscam uma alternativa à polarização.
A campanha de Flávio Bolsonaro também realizou movimentos de aproximação. Segundo dirigentes do PL ouvidos pela publicação, uma das pontes seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que mantém proximidade com Cury. Entre aliados de Flávio, até mesmo uma eventual neutralidade do candidato do Avante no segundo turno é considerada politicamente relevante.
Cury sinaliza neutralidade
Apesar das articulações, Augusto Cury vem afirmando publicamente que não pretende apoiar Lula nem Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Em entrevista ao SBT Brasil, em setembro, declarou que seus eleitores estariam livres para fazer a própria escolha. Mais recentemente, interlocutores relataram que ele estaria disposto, no máximo, a apresentar propostas que poderiam ser consideradas pelas campanhas.
Cury também tem feito críticas aos dois principais adversários durante a campanha. Em declarações recentes, voltou a questionar tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, reforçando o discurso de distanciamento dos dois polos.
Com a aproximação do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, os votos hoje destinados às candidaturas fora dos dois primeiros lugares ganham atenção crescente das campanhas. Nesse cenário, o comportamento dos eleitores de Augusto Cury — e a posição que o próprio candidato adotará caso haja segundo turno — passa a integrar as articulações desta reta final.




