As Eleições Gerais de 2026 se aproximam e, para muitas mulheres, o desejo de ocupar espaços de poder vem acompanhado de dúvidas, inseguranças e obstáculos que vão além da disputa nas urnas. Antes mesmo do voto, existe um caminho burocrático, legal e político que precisa ser conhecido — e dominado.
Para quem pensa em se candidatar, o primeiro passo é garantir que o título de eleitor esteja regular. A legislação eleitoral determina que o cadastro é fechado 150 dias antes da eleição. Após esse prazo, não é mais possível tirar o primeiro título, transferir domicílio ou corrigir dados. Para as mulheres, que muitas vezes conciliam múltiplas jornadas, perder esse prazo pode significar ficar fora da disputa antes mesmo de começar.
Outro ponto central é a filiação partidária. No Brasil, não existem candidaturas independentes. É preciso estar vinculada a um partido político e, mais do que isso, entender como esse partido enxerga a participação feminina. A regra é igual para todos, mas o acesso ao espaço interno, à estrutura e à visibilidade nem sempre é.
As convenções partidárias, momento em que os nomes são oficialmente escolhidos, também revelam muito sobre o ambiente político. É ali que se define quem terá apoio real e quem apenas cumprirá a cota legal. Para as mulheres, acompanhar esse processo de perto é fundamental para não serem surpreendidas.
A campanha eleitoral só começa após o registro oficial das candidaturas. Antes disso, pedidos explícitos de voto são proibidos. Em um cenário de redes sociais e uso crescente de inteligência artificial, a Justiça Eleitoral passou a reforçar regras para coibir desinformação e manipulação de conteúdo — um avanço importante, sobretudo para proteger candidatas que historicamente são alvo de ataques e distorções.
Planejar uma candidatura não é apenas cumprir prazos. É entender o sistema, antecipar riscos e ocupar espaços com estratégia. O olhar da mulher na política também passa por isso: transformar informação em instrumento de proteção, preparo e permanência.
Em 2026, mais do que participar, mulheres precisam conhecer as regras do jogo para não jogar em desvantagem.




