Eleições 2026: governadores redesenham caminhos e o Senado ganha protagonismo

Foto: Agência Senado

À medida que as eleições de 2026 se aproximam, governadores começam a redesenhar seus próximos movimentos políticos. O cenário aponta para um padrão já conhecido na política brasileira, mas que desta vez ganha proporções ampliadas: a disputa por vagas no Senado tende a se tornar o principal caminho para chefes de Executivo estadual impedidos de concorrer à reeleição.

Dos 27 governadores em exercício, apenas nove poderão tentar um novo mandato. Os outros 18 estão no segundo mandato e, por força constitucional, não podem permanecer no cargo. Em um ano marcado por ampla renovação do Congresso Nacional, o Senado surge como alternativa estratégica para quem busca continuidade na vida pública com projeção nacional e influência institucional. Em 2026, estarão em jogo 54 das 81 cadeiras da Casa, o equivalente a dois terços do Plenário.

O calendário eleitoral impõe ainda mais urgência às decisões. Governadores que pretendem disputar outro cargo precisam renunciar até abril de 2026, seis meses antes do pleito, o que antecipa articulações partidárias, negociações por alianças e a definição de sucessores nos estados, aquecendo o ambiente pré-eleitoral já no primeiro semestre.

Entre os nomes que já sinalizam ou são apontados como potenciais candidatos ao Senado estão governadores de diferentes regiões e espectros políticos. No Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) confirmou que deixará o governo para disputar uma vaga. No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) articula sua candidatura com a cúpula do partido e aparece bem posicionado em levantamentos internos, impulsionado pelo discurso de segurança pública. Em Roraima, Antonio Denarium (PP) já anunciou publicamente a pré-candidatura, abrindo espaço para que seu vice dispute o governo estadual.

No Pará, Helder Barbalho (MDB) desponta como favorito para uma vaga no Senado, embora ainda evite anúncio formal. Movimento semelhante é atribuído a governadores como Renato Casagrande (PSB-ES), Carlos Brandão (PSB-MA), João Azevêdo (PSB-PB), Fátima Bezerra (PT-RN), Mauro Mendes (União-MT), Gladson Cameli (PP-AC) e Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO).

A reeleição, por sua vez, aparece como exceção e se concentra principalmente no Nordeste, onde cinco governadores podem buscar um segundo mandato: Elmano de Freitas (PT-CE), Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Rafael Fonteles (PT-PI), Raquel Lyra (PSD-PE) e Fábio Mitidieri (PSD-SE). Fora da região, apenas Clécio Luís (Solidariedade-AP), Eduardo Riedel (PP-MS), Jorginho Mello (PL-SC) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) estão aptos à reeleição, sendo que, no caso paulista, o cenário ainda permanece indefinido, com aliados admitindo tanto a tentativa de recondução ao governo quanto uma eventual candidatura presidencial.

Mesmo entre os governadores que podem disputar novo mandato, há incertezas. Em estados como Piauí e Pernambuco, por exemplo, a definição das chapas majoritárias ainda depende de rearranjos internos e acordos políticos, o que pode alterar o desenho final da disputa. No conjunto, o movimento revela que 2026 será marcado não apenas pela renovação do Congresso, mas também por uma intensa reorganização do poder regional e nacional.

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