Mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram questionamentos do dono do Banco Master antes da prisão; conteúdo não revela eventuais respostas do ministro
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria consultado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a possibilidade de deixar o Brasil dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo.
A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso a mensagens recuperadas do celular de Vorcaro. Em uma delas, enviada em 15 de novembro, ele teria perguntado ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na segunda-feira seguinte, Vorcaro foi detido quando tentava embarcar para Malta.
Segundo a reportagem, os diálogos fazem parte do material analisado pela Polícia Federal e levantaram suspeitas sobre uma possível interlocução direta entre Vorcaro e Moraes. Entre as mensagens atribuídas ao empresário aparecem ainda questionamentos relacionados a ações da PF e referências ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Parte do conteúdo foi encaminhada pelo ministro André Mendonça à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise.
Mensagens não mostram respostas de Moraes
Um ponto importante é que o material recuperado não permite conhecer eventuais respostas de Alexandre de Moraes.
De acordo com o jornal, Vorcaro e Moraes utilizavam recursos de visualização única para determinadas imagens e textos. Dessa forma, a perícia conseguiu recuperar conteúdos enviados pelo empresário, mas não as possíveis manifestações do ministro.
Na véspera de sua prisão, ainda segundo a reportagem, Vorcaro teria perguntado se existia possibilidade de ser preso no dia seguinte e mencionado o juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, responsável pela ordem de prisão preventiva.
Contrato com escritório de Viviane Barci
Outro ponto revelado pelo Estadão envolve um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Segundo o jornal, Moraes teria participado da edição de uma minuta do documento, que previa pagamentos de R$ 129 milhões ao longo de três anos.
Em nota, o escritório de Viviane Barci afirmou que o ministro foi consultado “na condição de marido da sócia diretora” para avaliar a existência de eventuais impedimentos legais à contratação.
O escritório também informou que o contrato não previa atuação perante o Supremo Tribunal Federal.
As informações reveladas pelas mensagens agora integram uma discussão que deverá passar pela análise da Procuradoria-Geral da República, especialmente diante da necessidade de esclarecer o contexto e o alcance dos contatos mencionados no material apreendido.




