Primeiro domingo de campanha oficial movimenta a disputa pelo Buriti e pelo Senado e antecipa uma eleição em que território, alianças e força feminina terão peso
Brasília amanheceu diferente neste domingo (16). Com o início oficial da campanha eleitoral, aquilo que vinha sendo construído em convenções, reuniões partidárias e articulações de bastidores começou a ganhar as ruas.
No Distrito Federal, a largada mostrou que a disputa de 2026 não será travada apenas entre nomes. Será também uma batalha por territórios, alianças, símbolos e pela capacidade de conversar diretamente com um eleitor que já começa a decidir para onde olhar.
Um dos movimentos de maior repercussão ocorreu em Ceilândia, onde a governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, participou do início da campanha ao lado de Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado, da senadora Damares Alves (Republicanos) e de outras lideranças políticas. Michelle reafirmou sua ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro e também declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
A fotografia desse primeiro dia chama atenção também por outro aspecto: as mulheres ocupam posições centrais na eleição do Distrito Federal.
Não estão apenas acompanhando chapas ou compondo palanques. Estão disputando governo, Senado e espaços estratégicos no Legislativo. Em uma eleição ainda marcada pela força das estruturas partidárias tradicionais, a presença feminina passa a ser parte relevante da própria configuração da disputa brasiliense.
Mas a largada está longe de se resumir a um único campo político.
Com diferentes candidaturas buscando espaço, a eleição pelo Governo do Distrito Federal entra agora em uma fase na qual cada grupo precisará transformar posicionamento político em presença real nas cidades. Ceilândia, Gama, Plano Piloto, regiões do Entorno e demais territórios passam a ter significado eleitoral ainda maior.
E Brasília tem uma característica particular: a política nacional atravessa a política local o tempo inteiro.
Enquanto os candidatos ao Governo do DF e ao Senado iniciavam suas agendas, a disputa presidencial também ecoava na capital. O lançamento de Flávio Bolsonaro no Rio teve reflexos diretos no palanque brasiliense, enquanto Ronaldo Caiado encerrou sua primeira jornada de campanha presidencial em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal.
Isso coloca o DF novamente em uma posição singular no mapa eleitoral brasileiro. Aqui, a escolha para o Buriti conversa diretamente com a disputa pelo Planalto; a corrida pelas duas vagas do Senado se mistura às articulações nacionais; e alianças locais podem produzir efeitos muito além dos limites de Brasília.
O eleitor começa a observar
O primeiro domingo não define uma eleição. Mas revela estratégias.
Quem consegue mobilizar? Quem ocupa as cidades? Quem fala para além da própria bolha? Quem apresenta propostas capazes de alcançar o cotidiano de quem depende de saúde, segurança, transporte, educação, emprego e serviços públicos?
É a partir de agora que os discursos começam a enfrentar o teste das ruas.
E, no Distrito Federal, há ainda uma pergunta que o Mulher Capital Brasília acompanhará de perto ao longo desta campanha: qual será, de fato, o peso das mulheres nas decisões de 2026?
Porque elas estarão nas urnas, nos palanques, nas campanhas e entre os principais nomes da disputa.
Brasília entrou em modo campanha.
E até outubro, mais do que acompanhar quem aparece mais, será preciso observar quem consegue transformar presença em confiança — e discurso em escolha do eleitor.




