O documentário Sagrado, dirigido por Alice Riff e selecionado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) por meio do edital Seleção TV Brasil, foi consagrado como melhor longa ou média-metragem brasileiro no 31º Festival Internacional É Tudo Verdade, um dos mais importantes eventos dedicados ao cinema documental no mundo. A premiação reforça o papel estratégico da TV pública na promoção, financiamento e circulação do audiovisual nacional de qualidade.

Além do prêmio principal, Alice Riff também recebeu o título de Melhor Direção, concedido pela Associação Paulista de Cineastas, ampliando o reconhecimento da obra e de sua trajetória artística.
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Com 90 minutos de duração, Sagrado acompanha o cotidiano de educadores e funcionários de uma escola pública em Diadema (SP), revelando histórias de superação, luta popular e valorização da educação como direito fundamental. O júri destacou a narrativa do filme por ser construída a partir da escuta atenta e do respeito aos personagens, transformando o cotidiano escolar em retrato sensível das disputas por moradia, dignidade e cidadania.
Para a presidente da EBC, Antonia Pellegrino, o prêmio também simboliza a seriedade da Seleção TV Brasil como política pública estruturante para o setor audiovisual.
“Sagrado é um filme que arrebatou toda a comissão de avaliação do edital Seleção TV Brasil. Anunciamos o resultado da chamada pública em fevereiro. É uma enorme alegria receber a notícia da premiação do filme poucos meses depois da nossa escolha dos 39 projetos contemplados. Este resultado mostra que estamos no caminho certo”, celebra.
Pellegrino conduziu todo o processo de articulação, criação e implementação do edital enquanto ocupava o cargo de diretora de Conteúdo e Programação da empresa. Ela lembra que, em breve, o filme estará na programação da TV Brasil, ampliando o acesso do público em todo o país. “A Seleção foi pensada para isso: para ser mais do que uma janela de exibição, mas um instrumento efetivo de fortalecimento da parceria entre comunicação pública e setor audiovisual ”, afirma Antonia Pellegrino.
Para a diretora do longa, Alice Riff, o reconhecimento de Sagrado no Festival Internacional É Tudo Verdade valoriza tanto o resultado artístico quanto as histórias retratadas no documentário. Segundo a cineasta, trata-se de uma narrativa profundamente conectada à experiência da população brasileira e que dialoga com um público amplo ao tratar do cotidiano, das lutas sociais e da valorização dos profissionais da educação.
“É um filme que é muito próximo de nós, brasileiros. Quantos de nós passamos por uma escola, quantos de nós temos lembranças de professores, quantos de nós não temos nas nossas famílias mães, tias, avós que foram professoras”, afirma.
A diretora também destaca o papel da TV pública e da Seleção TV Brasil na viabilização e circulação de produções como Sagrado, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelo audiovisual nacional no mercado. “A gente tem uma produção audiovisual no Brasil muito boa, muito potente, mas com muita dificuldade de distribuição. Por isso a TV pública é essencial para apoiar, amplificar e ser parceira nessas histórias”, ressalta.
Alice enfatiza ainda o alcance da emissora como um diferencial importante: “A TV Brasil é um canal aberto que está nas televisões de todos os brasileiros. Ter como primeira janela de televisão a TV Brasil é maravilhoso, porque fica evidente que quem apoiou esse filme foi uma TV pública”.
Com a vitória no É Tudo Verdade, festival reconhecido pela Academia de Hollywood, Sagrado passa a ser elegível para concorrer ao Oscar, ampliando sua projeção internacional e reafirmando a capacidade do audiovisual brasileiro de dialogar com o mundo.
O Festival reuniu este ano 75 filmes de 25 países. Na competição internacional, o premiado foi o longa luso-espanhol Um Filme de Medo. Entre os curtas-metragens, venceram o cubano-italiano Sonhos de Apagão e o brasileiro Os Arcos Dourados de Olinda.
Edital Seleção TV Brasil
A Seleção TV Brasil é considerada o maior investimento já realizado pelo Estado brasileiro em conteúdos destinados à televisão pública, com R$ 110 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), em parceria com o Ministério da Cultura, a Ancine e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A iniciativa reafirma a EBC como agente central na articulação de políticas públicas para o audiovisual, promovendo diversidade, inovação e acesso democrático à produção cultural brasileira.
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