Estudo da Fiocruz revela que jovens negras são as maiores vítimas de violência no Brasil

A violência continua sendo uma grave ameaça para a juventude brasileira, mas com impactos diferentes para homens e mulheres. Um levantamento inédito da Fiocruz revelou dados alarmantes: enquanto os homens jovens são os que mais morrem por causas violentas, as mulheres jovens são as principais vítimas de agressões.

O 1º Informe Epidemiológico sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira: Violências e Acidentes, realizado pela Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), aponta que jovens negros representam 73% das mortes por causas externas, o que corresponde a 61.346 óbitos. Entre as jovens, a violência tem rosto feminino: as mulheres aparecem com taxas mais altas de agressões notificadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente entre 15 e 19 anos.

Outro dado preocupante é que pessoas com deficiência (PCDs) representam 20,5% das notificações de violência, sendo que os casos mais frequentes estão ligados a deficiências relacionadas à saúde mental.

Mortes violentas e desigualdade racial

A taxa de mortalidade para homens jovens é oito vezes maior do que para as mulheres, com destaque para a faixa etária de 20 a 24 anos (390 óbitos para cada 100 mil habitantes). Já para as mulheres, embora a letalidade seja menor, elas sofrem violências fatais mais diversificadas: além de armas de fogo e objetos cortantes, mortes por enforcamento, estrangulamento e sufocação são frequentes.
As mulheres também morrem, em sua maioria, dentro de casa (34,5%), enquanto os homens são mortos, principalmente, nas ruas (57,6%).

O estudo mostra ainda que o racismo estrutural agrava a violência: jovens negros têm risco de morte 90% maior do que brancos e amarelos. Na faixa etária de 15 a 19 anos, as taxas para negros (161,8 por 100 mil habitantes) são praticamente o dobro das taxas para jovens brancos.

Por que isso importa?

A pesquisadora Bianca Leandro alerta que compreender como a violência afeta diferentes grupos é fundamental para formular políticas públicas eficazes:

“É extremamente necessário trazer dados e reflexões sobre como a violência se apresenta de maneira distinta em relação à idade, gênero, raça e localização geográfica. Isso ajuda a compreender como agressões e acidentes estão associados às condições de vida e trabalho das juventudes brasileiras”, afirma.

Combate à violência exige ação imediata

Para o coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho, é urgente criar estratégias para garantir a vida da juventude:

“É preciso seguir apontando os dados alarmantes e, mais que isso, afetar as causas que têm a ver com a ausência de políticas públicas que protejam essa população”.

A violência de gênero, racial e social continua sendo uma barreira para o desenvolvimento e a dignidade de milhares de jovens no Brasil. Fortalecer a rede de proteção, combater o racismo e garantir políticas públicas são passos indispensáveis para mudar essa realidade.

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