A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga a morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Três ex-técnicos de enfermagem da unidade são suspeitos de envolvimento nos óbitos, inicialmente registrados como “mortes naturais”.
Segundo as investigações, os pacientes podem ter falecido devido à aplicação irregular de medicamentos e, em um dos casos, até de desinfetante. Um dos suspeitos, um homem de 24 anos, teria utilizado a senha de um médico para prescrever e aplicar medicamentos sem autorização da equipe médica.
Ordem cronológica dos casos
17 de novembro de 2025
- Duas aplicações irregulares foram registradas.
- Entre as vítimas, uma professora aposentada de 75 anos, que recebeu medicamentos irregulares e, segundo a investigação, desinfetante aplicado dez vezes com seringa, resultando em múltiplas paradas cardíacas.
- A segunda vítima foi um servidor público de 63 anos, internado em quarto vizinho.
1º de dezembro de 2025
- Um terceiro paciente, servidor público de 33 anos, de Brazlândia, recebeu medicamento irregular no mesmo leito de uma das vítimas de novembro.
Dezembro de 2025
- O hospital instaurou um comitê interno de investigação ao identificar “circunstâncias atípicas” nos óbitos.
- Os ex-técnicos de enfermagem foram demitidos e a denúncia encaminhada à Polícia Civil em 24 de dezembro.
11 de janeiro de 2026
- Prisões dos ex-técnicos foram realizadas. Mandados de busca e apreensão ocorreram em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.
15 e 16 de janeiro de 2026
- Segunda fase da operação: apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia. Famílias das vítimas foram notificadas.
A investigação segue para apurar se há outros casos semelhantes envolvendo os ex-funcionários em unidades de saúde do DF.
Posicionamento do Hospital Anchieta
Em nota, o hospital afirmou que tomou todas as providências rapidamente, instaurando comitê interno e encaminhando evidências à polícia. Segundo o Hospital Anchieta:
“O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com as famílias das vítimas e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.”
O hospital reforçou que o caso tramita em segredo de justiça, o que impede a divulgação de detalhes adicionais ou identificação das partes.
Posicionamento do CRM-DF
O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) informou que acompanha os fatos e instaurará sindicância para apurar eventual responsabilidade médica, garantindo contraditório, ampla defesa e sigilo. O CRM destacou que as esferas criminal, civil e administrativa são independentes, e decisões em uma não determinam decisões nas outras.




