A corrida pelo Planalto ganha as ruas: presidenciáveis dão a largada para 2026

Lula aposta na própria história, Flávio Bolsonaro busca herdar a força do bolsonarismo, Zema e Caiado colocam segurança no centro do discurso e Renan Santos tenta romper a polarização

A corrida pelo Palácio do Planalto ganhou oficialmente as ruas neste domingo (16). Com o início do período autorizado para a propaganda eleitoral, os candidatos à Presidência da República deram o pontapé inicial de suas campanhas e escolheram cenários, discursos e símbolos que já ajudam a revelar as estratégias para chegar ao primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

A partir deste domingo, a legislação eleitoral permite propaganda nas ruas e na internet, além dos pedidos explícitos de voto. E os principais presidenciáveis não perderam tempo: espalharam suas agendas por diferentes regiões do país e começaram a mostrar ao eleitor qual será a narrativa de cada candidatura.

Lula volta às origens

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, para iniciar oficialmente sua campanha à reeleição. O local não foi escolhido por acaso: foi ali que Lula construiu parte importante de sua trajetória sindical e política.

No estádio Primeiro de Maio, o presidente apostou na memória de sua história e em realizações de seus governos, ao mesmo tempo em que pediu à militância que compare os resultados de sua gestão com os do governo de Jair Bolsonaro.

O ato reuniu aliados como Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e a primeira-dama Janja. As mulheres também ganharam espaço no evento, assim como temas como segurança pública, soberania nacional e programas sociais. Lula voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública.

A mensagem da largada foi clara: Lula quer transformar sua própria trajetória e o legado de seus governos em argumentos para conquistar mais um mandato.

Flávio Bolsonaro escolhe Copacabana e abraça o legado do pai

No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a Praia de Copacabana, palco tradicional das grandes manifestações bolsonaristas, para começar sua campanha.

O senador buscou reforçar a ligação política com Jair Bolsonaro. Durante o evento, uma gravação com a voz do ex-presidente foi reproduzida, e Flávio fez diversas referências ao pai e à responsabilidade de representar o eleitorado construído pelo bolsonarismo.

Segurança pública, combate às facções criminosas, redução de impostos, críticas ao governo Lula e ao sistema político e institucional estiveram entre os principais pontos de seu discurso.

A escolha de Copacabana também carrega uma mensagem estratégica: Flávio quer mostrar que é o principal herdeiro eleitoral do pai e transformar a força do bolsonarismo nas ruas em votos para chegar ao Planalto.

Zema aposta em segurança, gestão e combate à corrupção

Romeu Zema (Novo) escolheu Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, para abrir sua campanha.

A agenda começou com missa e passou pelo Mercado Municipal. No discurso político, porém, Zema adotou um tom mais duro e colocou a segurança pública entre os pilares de sua candidatura.

O candidato prometeu a construção de um “superpresídio” para líderes de facções criminosas, defendeu endurecimento das leis penais e também falou em ampliar a proteção às mulheres, inclusive com delegacias especializadas.

Além da segurança, Zema apresentou combate à corrupção e controle dos gastos públicos como prioridades e usou os resultados de seus mandatos em Minas Gerais como credencial para tentar chegar ao governo federal.

Zema começa a corrida tentando levar para o Brasil a imagem de gestor construída em Minas e, ao mesmo tempo, disputar o eleitorado da direita com um discurso forte na segurança.

Caiado parte do Centro-Oeste e quer se apresentar como alternativa

Ronaldo Caiado (PSD) iniciou a campanha com missa em Goiânia e uma carreata que percorreu cidades de Goiás, incluindo a região do Entorno do Distrito Federal.

Segurança pública voltou a aparecer como uma das principais bandeiras. Caiado também abordou a proteção das mulheres, defendeu penas mais severas para agressores e apresentou propostas de mudanças nos critérios para indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Ao mesmo tempo, buscou se posicionar como uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

A escolha do Entorno também tem peso eleitoral e político: trata-se de uma região diretamente conectada a Brasília e onde temas como segurança, mobilidade, emprego e integração metropolitana fazem parte da rotina da população.

Caiado tenta transformar sua experiência administrativa e os resultados de Goiás, principalmente na segurança, em uma vitrine nacional.

Renan Santos tenta abrir espaço fora dos dois principais polos

Renan Santos, candidato do Missão, iniciou sua campanha no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, em frente à Faculdade de Direito da USP, onde estudou.

Com um discurso fortemente concentrado em segurança pública e enfrentamento ao crime organizado, Renan também dirigiu críticas tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro.

A estratégia indica uma tentativa de ocupar um espaço próprio dentro do eleitorado de direita e, ao mesmo tempo, apresentar-se como uma alternativa aos candidatos que hoje concentram maior atenção na disputa presidencial.

A largada já diz muito sobre a campanha

Se o primeiro dia serve como fotografia das estratégias que veremos até outubro, a disputa começou com mensagens bastante definidas.

Lula busca o peso da história. Flávio Bolsonaro, a força do legado do pai. Zema aposta em gestão e endurecimento na segurança. Caiado apresenta experiência administrativa e tenta ocupar o espaço de alternativa. Renan Santos busca romper a polarização e conquistar uma parcela da direita.

Há, entretanto, um ponto que chama atenção: segurança pública apareceu com força nas agendas e discursos de diferentes candidaturas, indicando que o tema deverá ocupar espaço central na eleição presidencial de 2026.

Também foi um domingo de símbolos. São Bernardo, Copacabana, Montes Claros, Goiás e Largo São Francisco não foram apenas locais escolhidos para eventos. Cada cenário ajudou a contar uma história e a definir uma identidade política.

A campanha começou.

Agora, serão pouco mais de 40 dias para descobrir quais dessas narrativas conseguirão atravessar as ruas, as redes sociais e os palanques — e chegar ao eleitor.

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