Bloqueios de rodovias diminuem na Bolívia após acordo com sindicatos e estado de exceção

A Bolívia registrou neste domingo (21) uma redução significativa nos bloqueios de rodovias que vinham afetando o país há cerca de 50 dias. A diminuição ocorreu após a assinatura de um acordo entre o governo do presidente Rodrigo Paz e a Central Operária da Bolívia (COB), além da entrada em vigor do estado de exceção decretado pelo Executivo e ratificado pelo Parlamento.

A medida emergencial permite ao governo adotar ações como toque de recolher e mobilização das Forças Armadas para garantir a circulação nas estradas e conter manifestações. Os protestos foram motivados por críticas de movimentos sociais e sindicais às políticas econômicas do governo, classificadas pelos manifestantes como neoliberais.

De acordo com a Administradora de Estradas Bolivianas (ABC), os bloqueios, que chegaram a superar 80 pontos em diferentes regiões do país, caíram para 31 no início deste domingo e foram reduzidos para apenas 12 ao longo do dia. As ocorrências se concentraram principalmente nos departamentos de La Paz, Cochabamba, Oruro e Santa Cruz.

O acordo firmado entre o governo e a principal central sindical do país prevê a suspensão dos bloqueios por 90 dias para avaliação dos compromissos assumidos pelas partes. Entre eles estão a garantia de não criminalização dos protestos, a não perseguição de lideranças sindicais, a criação de uma comissão para discutir a situação dos detidos durante as manifestações e o compromisso de não privatizar empresas públicas consideradas estratégicas.

Especialistas apontam que o prolongamento dos bloqueios provocou impactos econômicos e sociais relevantes, incluindo dificuldades no abastecimento de alimentos e medicamentos, aumentando a pressão por uma solução negociada.

Apesar do acordo, parte dos movimentos sociais mantém posição crítica ao governo e defende a continuidade das mobilizações até mudanças mais profundas no cenário político do país. A tradição de bloqueios de rodovias como instrumento de pressão social permanece uma das características mais marcantes da dinâmica política boliviana.

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