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No lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adotou um tom estratégico ao posicionar-se como alternativa à polarização política que tem dominado o cenário nacional. Sem citar diretamente o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, seu adversário interno na legenda, Caiado rebateu a ideia de que o embate político seja estrutural no Brasil.
Para o goiano, a polarização é fruto de interesses específicos e pode ser superada com uma liderança que esteja fora desse confronto. “Pode ser desativada, sim. E é isso que pretendo fazer ao chegar à Presidência”, afirmou.
Como principal proposta para simbolizar essa “pacificação”, Caiado defendeu a concessão de uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos atos antidemocráticos de Ataques de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a medida seria seu primeiro ato de governo, caso eleito — embora dependa da aprovação do Congresso Nacional.
A proposta aproxima Caiado de eleitores ligados ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que tenta consolidá-lo como uma alternativa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o discurso, ele também fez críticas indiretas ao governo federal e reforçou pautas caras à sua gestão, como o apoio ao agronegócio e o endurecimento no combate ao crime organizado.
Ao rejeitar a imagem de radical, o governador destacou sua trajetória política e administrativa, mencionando os índices de aprovação em Goiás. “Ninguém atinge esse nível de aprovação sendo radical”, declarou, ao defender um perfil técnico e voltado à gestão pública.
A consolidação de seu nome no PSD ocorreu após a desistência de Ratinho Júnior da disputa presidencial, com o aval do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. Para oficializar sua candidatura, Caiado deverá renunciar ao cargo de governador até 4 de abril, conforme exigido pela legislação eleitoral.
Com uma longa trajetória política, que inclui cinco mandatos como deputado federal, um como senador e uma candidatura presidencial em 1989, Caiado retorna ao cenário nacional com o desafio de se posicionar entre polos opostos e construir uma narrativa de equilíbrio em um ambiente político ainda marcado por fortes divisões.





