Itamaraty critica possível visita de assessor de Trump a Bolsonaro e vê ingerência em assuntos internos

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil classificou como ingerência em assuntos internos a possibilidade de que um assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visite o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.

A reação ocorreu após a informação de que o assessor norte-americano Darren Beattie teria solicitado autorização para encontrar Bolsonaro, que cumpre pena no Complexo da Papuda.

Nos bastidores do governo brasileiro, interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que o país deve evitar entrar em confrontos diretos com integrantes da equipe de Trump, especialmente enquanto não há confirmação de que as declarações e iniciativas contam com apoio direto do presidente norte-americano.

Outro ponto de tensão envolve a pressão para que o Brasil classifique facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Dentro do governo brasileiro, a avaliação é de que essa medida pode trazer implicações jurídicas e diplomáticas sensíveis.

Assessores do Palácio do Planalto consideram que rebater esse tipo de proposta é mais complexo, especialmente porque o tema da segurança pública é uma das principais preocupações da população.

A expectativa dentro do governo é que a posição definitiva de Trump sobre essas iniciativas fique mais clara em um eventual encontro com Lula na Casa Branca. Enquanto isso, a orientação tem sido evitar escaladas diplomáticas e manter o diálogo institucional entre os dois países.

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