A declaração da ministra do Planejamento, Simone Tebet, ao apontar Fernando Haddad e Geraldo Alckmin como os principais nomes do governo Lula para disputar o Palácio dos Bandeirantes, vai além de uma avaliação pessoal. Ela explicita uma estratégia eleitoral do Planalto para 2026, centrada no peso político de São Paulo e no impacto da eleição estadual sobre a disputa presidencial.
Ao defender Haddad e Alckmin, Tebet associa o desempenho no maior colégio eleitoral do país à capacidade de puxar votos para a chapa presidencial, reforçando a leitura de que a eleição paulista não será tratada de forma isolada, mas como peça-chave da engrenagem nacional. Nesse contexto, a resistência de Haddad em disputar o governo do estado revela uma tensão entre cálculo pessoal, cenário eleitoral adverso e interesse estratégico do governo.
A sinalização de que Haddad pode deixar o Ministério da Fazenda nas próximas semanas amplia a leitura de que o Planalto trabalha com a possibilidade concreta de sua candidatura, ainda que o ministro afirme preferir coordenar a campanha de reeleição de Lula. A fala de Tebet — ao dizer que “o quadro não fecha sem ele” — sugere que a decisão pode ser menos individual e mais política.
Paralelamente, a própria Tebet se movimenta no tabuleiro ao colocar seu nome à disposição para o Senado, em São Paulo ou no Mato Grosso do Sul. A disputa pelas cadeiras da Casa Alta ganha centralidade porque, em 2026, estarão em jogo 54 das 81 vagas, o que pode redefinir o equilíbrio de forças do Congresso a partir de 2027.
Nesse cenário, governo e oposição tratam a eleição para o Senado como estratégica, cientes de que o controle da Casa influencia diretamente a governabilidade, a tramitação de pautas estruturais e o próprio relacionamento entre Executivo e Legislativo em um eventual novo mandato presidencial.




