Desaparecimento de crianças cresce e já representa quase 30% dos casos no Brasil

Quase três em cada dez registros de pessoas desaparecidas no Brasil em 2025 envolveram crianças e adolescentes. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) apontam que, dos mais de 84 mil casos registrados no país, cerca de 24 mil tiveram como vítimas pessoas com menos de 18 anos.

Na prática, isso significa que as polícias civis registraram, em média, 66 ocorrências por dia relacionadas ao desaparecimento de crianças e adolescentes ao longo do último ano. O número representa um aumento superior ao crescimento geral dos casos de desaparecimento no país e indica uma tendência de alta desde 2023.

Outro dado que chama atenção é o perfil das vítimas: embora os homens sejam maioria entre os desaparecidos em geral, entre crianças e adolescentes as meninas concentram a maior parte dos registros, respondendo por mais de 60% das ocorrências.

Especialistas destacam que o fenômeno envolve realidades distintas. Há desde desaparecimentos considerados voluntários, quando a pessoa se afasta por decisão própria, até casos involuntários e situações mais graves, como desaparecimentos forçados. Também há situações classificadas como “estratégicas”, quando a fuga ocorre como tentativa de sobrevivência, especialmente em contextos de violência doméstica ou maus-tratos.

Levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam ainda que os desaparecimentos se concentram principalmente nos fins de semana, período em que a circulação de pessoas aumenta e a supervisão familiar pode ser reduzida.

Casos recentes mostram que muitos desaparecimentos infantis estão ligados a conflitos familiares, medo de punição ou situações de vulnerabilidade social. Para especialistas, além do registro policial imediato, é fundamental que famílias recebam apoio psicológico e orientação adequada para prevenir novos episódios.

O crescimento dos números reforça o desafio das políticas públicas voltadas à proteção da infância e adolescência e evidencia a necessidade de ações integradas entre segurança pública, assistência social e educação para enfrentar um problema que vai além das estatísticas.

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