Saída de Gleisi e nome de Olavo Noleto antecipam reconfiguração política do governo para 2026

A indicação de Olavo Noleto para assumir a Secretaria de Relações Institucionais a partir de março marca mais do que uma simples troca administrativa no governo federal. A decisão anunciada pela ministra Gleisi Hoffmann, que deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná, sinaliza o início do redesenho político do Palácio do Planalto para as eleições de 2026.

Responsável pela articulação entre Executivo e Congresso, a SRI ocupa papel central na sustentação da base governista. A escolha de um nome com trajetória técnica e experiência acumulada em gestões petistas indica uma estratégia de continuidade em um momento sensível, no qual o governo precisa preservar governabilidade enquanto ministros se preparam para deixar o primeiro escalão.

Olavo Noleto já conhece a engrenagem da pasta. Atuou como secretário-executivo da SRI entre 2023 e 2024, período de intensa negociação com o Congresso, e atualmente comanda o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, espaço que reúne representantes de diversos setores da sociedade. O perfil é visto como funcional para manter canais abertos com parlamentares em um ano pré-eleitoral, quando disputas regionais tendem a tensionar a base aliada.

A saída de Gleisi não é um caso isolado. A expectativa é de que ao menos 20 ministros deixem o governo até abril, prazo legal para desincompatibilização. Esse movimento amplia a necessidade de nomes capazes de evitar rupturas políticas enquanto o Planalto administra as disputas internas por espaço, recursos e protagonismo eleitoral.

Além da reorganização interna, a troca na SRI também dialoga com o cenário externo ao governo. O Congresso entra em 2026 mais fragmentado, com partidos buscando maior autonomia e líderes parlamentares atentos às próprias estratégias eleitorais. Nesse contexto, a capacidade de articulação institucional será determinante para a aprovação de pautas estratégicas e para a defesa do projeto político do governo.

A transição na Secretaria de Relações Institucionais, portanto, não se limita à sucessão de cargos. Ela antecipa o desafio do Executivo de equilibrar gestão, articulação política e disputa eleitoral em um ano que tende a ser marcado por rearranjos, alianças fluidas e intensificação do jogo de poder rumo às eleições de 2026.

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