O governo da Venezuela informou ter libertado cerca de 400 pessoas presas desde dezembro de 2024, número divulgado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, na noite desta terça-feira (13). A oposição e organizações de direitos humanos, no entanto, contestam os dados e pedem a divulgação oficial da lista com os nomes dos libertados.
Segundo Rodríguez, a iniciativa faz parte de um gesto unilateral do governo para reduzir tensões políticas e promover a convivência nacional, em meio ao agravamento do cenário interno após a recente intervenção militar dos Estados Unidos no país. O dirigente afirmou que parte das liberações ocorreu ainda em dezembro de 2024 e que novas solturas devem continuar.
O presidente do Legislativo negou que os libertados sejam “presos políticos” e afirmou que se tratam de pessoas condenadas por crimes contra a Constituição, incluindo incentivo à intervenção estrangeira. Entre os nomes citados está o do ex-candidato à Presidência Enrique Márquez, detido após contestar o resultado da eleição de julho de 2024.
Do outro lado, parlamentares da oposição afirmam que os números não coincidem com os levantamentos independentes. Organizações como o Foro Penal calculam que pouco mais de 100 pessoas tenham sido libertadas, o que representaria uma fração do total estimado de presos por motivação política no país.
O Observatório Venezuelano de Prisioneiros também aponta falta de transparência no processo e relata que as liberações ocorrem de forma lenta e sem critérios claros. Familiares de detentos seguem aguardando informações oficiais, muitas vezes permanecendo próximos às unidades prisionais à espera de notícias.
A divergência entre governo e entidades independentes mantém o tema no centro do debate político venezuelano, ampliando a pressão por maior clareza sobre a situação dos detentos e o real alcance das medidas anunciadas pelo Executivo.




