Autoridade iraniana admite cerca de 2 mil mortos em repressão a protestos no país

Pela primeira vez desde o início da onda de manifestações que tomou conta do Irã, uma autoridade do governo reconheceu que aproximadamente duas mil pessoas morreram durante os protestos registrados nas últimas semanas. A declaração foi feita nesta terça-feira (13) à agência Reuters e inclui tanto manifestantes quanto integrantes das forças de segurança.

Segundo o representante iraniano, o governo atribui as mortes à atuação de grupos classificados como “terroristas”, embora não tenha apresentado um balanço detalhado sobre o perfil das vítimas. A admissão ocorre após semanas de denúncias feitas por organizações de direitos humanos, que já apontavam números elevados de mortos e milhares de prisões em meio à repressão.

Os protestos tiveram início em meio ao agravamento da crise econômica, marcada por inflação elevada, desvalorização da moeda e dificuldades no acesso a itens básicos. O movimento se tornou o maior desafio interno enfrentado pelo regime iraniano nos últimos três anos, em um contexto de pressão internacional crescente, especialmente após os ataques de Israel e dos Estados Unidos registrados em 2024.

O governo iraniano tem adotado um discurso ambíguo diante das manifestações. Enquanto reconhece a legitimidade de parte das reivindicações econômicas, mantém uma resposta dura no campo da segurança. Autoridades do país acusam os Estados Unidos e Israel de incentivar os protestos e afirmam que grupos externos teriam se infiltrado nas mobilizações.

A repressão foi acompanhada por restrições severas à comunicação, incluindo bloqueios de internet, o que dificultou o acesso a informações independentes. Ainda assim, imagens que circularam nas redes sociais e foram verificadas por agências internacionais mostram confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com registros de tiros, incêndios em veículos e prédios destruídos.

Entidades internacionais de direitos humanos seguem cobrando transparência, investigação independente e responsabilização pelas mortes, enquanto o cenário interno permanece instável e sem sinais claros de recuo por parte do regime.

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