Comunicadoras e advogadas defenderam, nesta quinta-feira (5), em Brasília, a articulação de redes de apoio para ampliar a presença de mulheres nos espaços de decisão. O debate integrou a conferência internacional Mulheres que Movem a Justiça, que segue até sexta-feira (6) na capital federal.
A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, lembrou o chamado Lobby do Batom, movimento que reuniu mulheres de diferentes partidos durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988. Ela destacou que a articulação ajudou a garantir direitos na Constituição e defendeu que as profissionais se organizem diante das nomeações previstas para o Judiciário na próxima década.
“Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência”, afirmou Pellegrino. Ela também defendeu a atuação conjunta de profissionais da comunicação no enfrentamento à desinformação.
Informação para conhecer e reivindicar direitos
A advogada Sara Gabriela contou que criou, em 2019, o projeto Seja a princesa que salva a si mesma, a partir da experiência no atendimento a mulheres vítimas de violência em Goiás. No debate, ela defendeu o uso de informações claras e diretas para enfrentar a misoginia e contribuir para uma mudança cultural.
A advogada Miriane Ferreira chamou a atenção para um problema que aparece em sua atuação nas redes sociais. Segundo ela, muitas mulheres deixam de buscar informações sobre seus direitos em um divórcio por acreditarem que, por terem se dedicado à casa e aos cuidados da família, não contribuíram para a formação do patrimônio do casal.
Participação feminina e acolhimento no Judiciário
A advogada Mayra Cotta, criadora da série Afiadas, exibida pela TV Brasil, defendeu que a ampliação da presença feminina no Judiciário venha acompanhada de mudanças na forma como as instituições recebem e tratam denúncias de violência e assédio.
Já a jornalista Thayse Xavier, fundadora da plataforma Elas Trabalham, citou a mobilização pelo voto feminino nas eleições deste ano e destacou a importância de apoiar mulheres que já ocupam cargos de decisão. A cineasta Fernanda Amim também participou da mesa e abordou o papel do audiovisual ao tratar de questões como o racismo institucional, tema de seu documentário Reconhecidos, sobre falhas no reconhecimento fotográfico de suspeitos.
Legenda da foto
Antonia Pellegrino, presidente da EBC, participa da conferência Mulheres que Movem a Justiça, em Brasília, nesta quinta-feira (5). Foto de Valter Campanato/Agência Brasil.




