Estudo realizado em Ceilândia analisou 654 exames e identificou desafios no acompanhamento preventivo de pacientes que vivem com HIV
Redação
Uma pesquisa desenvolvida pelos estudantes de medicina Maria Cecília Caixeta Magalhães e André Rodrigues Diógenes Macedo, da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs), foi premiada no 32º Congresso de Iniciação Científica da Universidade de Brasília (UnB) e no 23º Congresso de Iniciação Científica do Distrito Federal.
O estudo analisou o acompanhamento de pessoas que vivem com HIV submetidas ao rastreamento da infecção latente por tuberculose. Foram avaliados 654 exames realizados na Policlínica II de Ceilândia entre 2023 e 2025.
De acordo com a pesquisa, aproximadamente 9% dos exames apresentaram resultado positivo. Outro dado chama a atenção: entre os pacientes para os quais havia indicação de tratamento preventivo, quase 30% não tinham registro do início da terapia.
“Um dos principais achados foi a ausência de registro de início do tratamento preventivo em quase 30% dos pacientes para os quais essa conduta estava indicada”, destacou Maria Cecília.
Coinfecção no DF supera média nacional
Segundo os dados apresentados pelos pesquisadores, a proporção de coinfecção por tuberculose e HIV no Distrito Federal supera 11%, enquanto a média nacional está em torno de 9%.
O rastreamento da tuberculose é especialmente importante para pessoas que vivem com HIV devido ao maior risco de desenvolvimento da forma ativa da doença.
A pesquisa utilizou dados do IGRA, exame de sangue capaz de identificar a infecção latente por tuberculose, situação em que a pessoa está infectada pela bactéria, mas ainda não apresenta a doença ativa.
Integração de sistemas também é desafio
Além do acompanhamento dos pacientes, os pesquisadores identificaram dificuldades na integração entre os sistemas laboratoriais e os prontuários eletrônicos. Essa falta de comunicação pode prejudicar o fluxo de informações entre o resultado do exame e a assistência ao paciente.
O trabalho foi orientado pelo médico infectologista e professor Lino Neves da Silveira, que atua na unidade de saúde onde a pesquisa foi realizada.
Para os pesquisadores, os resultados podem contribuir para aprimorar os registros e o acompanhamento dos pacientes na rede pública de saúde do Distrito Federal.
O estudo retrata a realidade de um serviço de atenção secundária da Regional Oeste de Saúde e, segundo os próprios autores, não substitui pesquisas de maior abrangência, mas pode servir como ponto de partida para decisões e melhorias locais.




