Cerca de 646 mil moradores do DF vieram do Nordeste; em Ceilândia, cultura, gastronomia e histórias de famílias mantêm vivas as raízes da região
A presença nordestina faz parte da história, da cultura e da própria identidade do Distrito Federal. Mais da metade dos migrantes que vivem na capital do país tem origem no Nordeste, totalizando cerca de 646 mil pessoas, segundo dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF).
Em Ceilândia, essa influência é ainda mais visível. Reconhecida pela forte presença da cultura nordestina, a cidade reúne histórias de famílias que chegaram ao Distrito Federal em busca de oportunidades e ajudaram a construir não apenas Brasília, mas também a identidade cultural da região.
Um dos espaços que simbolizam essa ligação é a Feira Central de Ceilândia, onde culinária, sotaques, costumes e memórias atravessam gerações.
A pernambucana Claudete Cirino, de 52 anos, trabalha desde a adolescência na feira e atualmente gerencia a banca Estação Nordeste, conhecida pela culinária típica.
“Meu pai ajudou a construir Brasília. Eu trabalho aqui desde adolescente. Era a banca do meu tio, também pernambucano, e ele deixou para a gente continuar o legado aqui na feira”, contou.
Entre os sabores que ajudam a manter essa tradição estão pratos como rabada, caldo de mocotó e sarapatel.
Outra história é a da cearense Marilene Moura, de 50 anos, que chegou a Brasília ainda criança, acompanhada da família.
“Vim para cá com dez anos com minha família, éramos oito irmãos. Decidimos vir para cá para conseguir melhores condições de vida”, relatou.
Hoje, ela afirma sentir-se em casa no Distrito Federal.
Uma influência que ajudou a formar Brasília
Para a professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília Christiane Machado Coêlho, a forte presença nordestina está diretamente ligada à própria formação da capital, especialmente à chegada dos trabalhadores que participaram da construção de Brasília.
“A cultura nordestina aqui está muito presente como um substrato comum da própria cultura brasiliense”, explicou.
Mais do que números migratórios, a presença nordestina pode ser percebida na gastronomia, nas festas, na música, no comércio e nas relações comunitárias construídas ao longo de décadas.
Em Ceilândia, essas raízes permanecem vivas e passam de geração em geração. Histórias como as de Claudete e Marilene mostram que muitos dos que chegaram ao Distrito Federal em busca de uma nova vida também ajudaram a construir a história e a identidade de Brasília.




