Faltam sete dias para as eleições. E, nesta reta final, uma pergunta merece atenção: o que podemos esperar da participação das mulheres nas urnas — e, depois delas, nos espaços de decisão?
As mulheres representam mais da metade do eleitorado brasileiro. Em Brasília, também têm peso decisivo na escolha de quem ocupará os principais cargos públicos. Mas existe uma diferença histórica entre ser maioria entre quem escolhe e ter presença proporcional entre aqueles que são escolhidos.
É justamente aí que esta eleição merece ser observada.
Nos últimos meses, acompanhamos mulheres nas ruas, nas campanhas, nos debates e nas redes sociais. Mulheres de diferentes trajetórias, profissões, idades e visões políticas decidiram colocar seus nomes à disposição do eleitor.
A questão, agora, é saber quantas conseguirão transformar candidatura em mandato.
Não se trata de defender que mulher vote em mulher simplesmente por ser mulher. O voto envolve trajetória, propostas, confiança, identificação e aquilo que cada eleitor considera importante para sua cidade, seu estado e para o país.
Mas existe uma reflexão inevitável: se falamos tanto sobre ampliar a presença feminina na política, o resultado das urnas mostrará esse movimento?
Brasília é um lugar especialmente simbólico para essa discussão. É aqui que estão o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto, os tribunais superiores e grande parte das decisões que repercutem em todo o Brasil. Ainda assim, a presença feminina nos espaços de poder permanece abaixo de sua participação na sociedade e no eleitorado.
No cenário nacional, a pergunta se repete. Quantas mulheres chegarão à Câmara dos Deputados? Quantas estarão nas assembleias legislativas, nos governos estaduais e nos demais espaços de decisão?
Daqui a sete dias, as urnas começarão a responder.
Independentemente do resultado, esta eleição também permitirá medir algo maior: se o crescimento da participação das mulheres no debate político está conseguindo se transformar em representação institucional.
As mulheres já são protagonistas como eleitoras. Resta saber qual será o tamanho dessa presença do outro lado da urna.
A resposta virá no voto. E estará nos números que o Brasil conhecerá depois de 4 de outubro.




